PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão P03 da 2ª fase da FUVEST 2008

2ª fase · Português · Português: Discurso direto, indireto e indireto livre

Em janeiro de 1935, um grupo de turistas pernambucanos passeava de carro quando deu de cara com Lampião e seu bando. Revirando a bagagem do grupo, um cangaceiro encontrou uma Kodak e entregou ao chefe, que perguntou a quem ela pertencia. Apavorado, um deles levantou o dedo. “Quero que o senhor tire o meu retrato”, disparou o “rei do cangaço”, pondo-se a posar. O homem, esforçando-se, bateu uma chapa, mas avisou: “Capitão, esta posição não está boa”. Dando um salto e caindo de pé, Lampião perguntou: “E esta? Está melhor?” Outra foto foi feita. Quando libertava os turistas, após pilhá-los, o “fotógrafo” de ocasião indagou-lhe como podia enviar as imagens. “Não é preciso. Mande publicar nos jornais”, disse o cangaceiro.

Carlos Haag, Pesquisa FAPESP.

a) No texto, as aspas em “rei do cangaço” e “fotógrafo” foram empregadas pelo mesmo motivo? Justifique sua resposta.

b) Os trechos abaixo encontram-se em discurso indireto e discurso direto, respectivamente.
Transforme em discurso direto o primeiro trecho e, em discurso indireto, o segundo.

I. (...) um cangaceiro encontrou uma Kodak e entregou ao chefe, que perguntou a quem ela pertencia.

II. “Quero que o senhor tire o meu retrato”, disparou o “rei do cangaço” (...).

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Resolução comentada

a) Não, as aspas têm motivos diferentes.

Em "rei do cangaço", as aspas marcam uma expressão que não é do narrador: é um epíteto, um apelido atribuído a Lampião pela imprensa e pela fama popular. O jornalista cita o título sem assumi-lo como seu, em tom de distanciamento.

Em "fotógrafo", as aspas indicam sentido figurado, ironia ou ressalva. O turista não era fotógrafo profissional. Ele só ocupou essa função de modo improvisado, por ser o dono da máquina e ter sido obrigado a fotografar Lampião. A palavra é usada fora do seu sentido pleno, e as aspas assinalam isso.

Assim, um caso é citação de epíteto alheio e o outro é uso impróprio ou irônico do termo.

As aspas em "rei do cangaço" marcam um epíteto atribuído por outros (citação); as de "fotógrafo" marcam uso irônico ou impróprio, pois o homem era fotógrafo só de ocasião.

b) Na passagem do discurso indireto para o direto, o narrador deixa de reportar a fala e reproduz a pergunta como foi dita. Por isso mudam o pronome interrogativo, a pessoa verbal e o tempo, e entram os sinais próprios do diálogo (dois-pontos, travessão ou aspas, e ponto de interrogação).

I. A oração "que perguntou a quem ela pertencia" vira a fala do chefe, em 2ª pessoa (a quem se dirige) e no presente:

— Um cangaceiro encontrou uma Kodak e a entregou ao chefe, que perguntou: "A quem pertence esta máquina?"

II. A fala de Lampião passa a ser relatada pelo narrador. A 1ª pessoa passa para a 3ª, o presente passa para o imperfeito do subjuntivo, e "o senhor" e "meu" mudam conforme o referente:

O "rei do cangaço" disse (ou disparou) que queria que ele tirasse o retrato dele (de Lampião).

I. ... entregou ao chefe, que perguntou: "A quem pertence esta máquina?" II. O "rei do cangaço" disparou que queria que o homem tirasse o retrato dele.

Assuntos: Discurso direto, indireto e indireto livre, Efeitos de sentido e recursos expressivos.

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Ver como caiu na prova Questão P03 no caderno Português da 2ª fase da FUVEST 2008