PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão G09 da 2ª fase da FUVEST 2008

2ª fase · Geografia · Geografia: Intemperismo, erosão e movimentos de massa

Um dos problemas enfrentados por muitos brasileiros são os escorregamentos de grandes volumes de solo e rocha, cujas conseqüências podem incluir, não raras vezes, perda de vidas humanas.

a) Cite dois fatores físico-naturais envolvidos em processos de escorregamento como o apresentado na foto ao lado. Explique-os.

b) Analise, criticamente, dois tipos de ação humana, que, em geral, colaboram para a ocorrência de episódios dessa natureza.

Fotografia em preto e branco de uma encosta íngreme ocupada por pequenas casas. Uma ampla faixa de solo exposto atravessa a encosta, com destroços de construções e casas atingidas pelo escorregamento; há vegetação e outras casas nas laterais.

Fonte: Adriana Ahrendt, 2005.

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Resolução comentada

a) A foto mostra um escorregamento em encosta íngreme, e dois fatores físico-naturais pesam nele.

  1. Declividade elevada: quanto mais inclinada a vertente, maior a componente da força peso paralela ao terreno. O material fica mais instável e tende a se mover encosta abaixo, sobretudo quando perde coesão.

  2. Chuvas intensas e concentradas: a água infiltra, aumenta o peso do solo e preenche os poros, o que reduz o atrito e a coesão entre as partículas. O solo saturado, em geral espesso e muito alterado (regolito) sobre rocha pouco permeável, perde resistência e escorrega. Esse processo é típico de áreas tropicais úmidas, com verões chuvosos e intemperismo químico intenso.

Outros fatores aceitos seriam o tipo de solo ou rocha, as fraturas e a espessura do manto de alteração.

Resposta: declividade acentuada da encosta e chuvas intensas que saturam o solo.

b) Duas ações humanas colaboram para esses episódios.

  1. Remoção da cobertura vegetal e cortes na encosta: a vegetação protege o solo, pois as raízes o fixam e as copas reduzem o impacto da chuva. Ao desmatar e cortar taludes para abrir ruas e construir casas, aumenta-se a declividade e expõe-se o solo, favorecendo a erosão e o deslizamento. A crítica é que isso resulta da ocupação desordenada do solo, sem estudo geotécnico.

  2. Ocupação inadequada, com moradias precárias, sem drenagem nem esgoto: a população de baixa renda, sem acesso à moradia em áreas seguras, ocupa encostas de risco. Falta infraestrutura de águas pluviais, e o lixo e o esgoto lançados na encosta, somados ao peso das construções, aumentam a infiltração e a sobrecarga. A raiz do problema é social: especulação imobiliária, déficit habitacional e ausência de planejamento urbano e de fiscalização do poder público. A vítima é, em geral, a população mais pobre, e não quem criou o problema.

Resposta: desmatamento e cortes de talude, e ocupação desordenada e precária de áreas de risco, sem drenagem e sem planejamento público.

Assunto: Intemperismo, erosão e movimentos de massa.

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