PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão H03 da 2ª fase da FUVEST 2007
As interpretações históricas sobre o papel dos Bandeirantes nos séculos XVII e XVIII apresentam, de um lado, a visão desses paulistas como heróis e, de outro, como vilões. A partir dessa afirmação, discorra sobre
a) os bandeirantes como heróis, ligando-os à questão das fronteiras.
b) os bandeirantes como vilões, ligando-os à questão dos índios.
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Resolução comentada
a) A visão heroica nasceu sobretudo na historiografia paulista do século XX (Taunay, Alfredo Ellis Jr., Washington Luís), que exaltava os bandeirantes como desbravadores e construtores do território brasileiro. Segundo essa leitura, ao penetrarem o sertão em busca de ouro, pedras preciosas e indígenas, eles ultrapassaram a linha do Tratado de Tordesilhas (1494), que dividia as terras entre Portugal e Espanha.
Essa expansão criou fatos consumados: o povoamento e a exploração de áreas formalmente espanholas, como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e o Sul. Ela também destruiu missões jesuíticas espanholas no Guairá e no Tape. Assim, quando Portugal e Espanha negociaram o Tratado de Madri (1750), baseado no uti possidetis (a terra pertence a quem a ocupa), o território luso-brasileiro já estava muito maior que o de Tordesilhas. Daí a imagem de heróis, que teriam "feito" as fronteiras do Brasil.
Resposta: os bandeirantes são vistos como heróis por ampliarem o território além de Tordesilhas, o que embasou o uti possidetis do Tratado de Madri (1750).
b) A visão crítica, presente na historiografia mais recente, destaca a violência contra os povos indígenas. Muitas bandeiras, chamadas de apresamento ou sertanismo de preia, capturavam índios para escravizá-los. Eles serviam de mão de obra na lavoura de São Paulo, que era pobre e sem recursos para comprar africanos, ou eram vendidos a outras regiões.
As expedições dizimaram e desorganizaram populações inteiras, e destruíram aldeamentos e missões jesuíticas, como as do Guairá. Já o sertanismo de contrato, a serviço da Coroa, combateu povos resistentes, como na Guerra dos Bárbaros, e destruiu quilombos, como o de Palmares. As motivações eram econômicas e pessoais, não um projeto de nação. A expansão territorial foi, portanto, consequência de uma política baseada em escravização, massacres e conflitos com jesuítas e povos nativos. Por isso, os bandeirantes são vistos também como vilões.
Resposta: os bandeirantes são vistos como vilões por escravizarem e massacrarem indígenas e destruírem missões jesuíticas, em busca de lucro.
Assuntos: Bandeirantes, expansão territorial e mineração, Povos indígenas: colonização, resistência e direitos.
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