Questão 23 do ENEM 2024
As reações à sétima temporada foram o ápice do último estágio em Game of Thrones. De forma alguma, este que vos fala seria capaz de argumentar que a série é perfeita, mas os defeitos que existem aqui sempre existiram, de uma forma ou de outra, durante os sete anos em que ela esteve no ar. Os dois roteiristas foram brilhantes em traduzir os personagens intrincados e conflituosos da obra de George R. R. Martin, mas nunca souberam exatamente como fazer jus a eles (e especialmente a elas, as mulheres da trama).
A verdade é que, com tudo isso e mais Ramin Djawadi evocando sentimentos e ambientes improváveis com sua trilha sonora magistral, a série não conseguiria ser ruim nem se tentasse, mas continua sendo uma pena que, ao buscar o seu final com tanta sede e tanta celeridade, Benioff e Weiss tenham tirado sua qualidade mais preciosa: o fôlego, a paciência e o detalhismo que faziam suas palavras se levantarem do papel e ganharem vida.
Disponível em: https://observatoriodocinema.uol.com.br. Acesso em: 29 nov. 2017 (adaptado).
Ainda que faça uma avaliação positiva da série, nessa resenha, o autor aponta aspectos negativos da obra ao utilizar
- Amarcas de impessoalidade que disfarçam a opinião do especialista.
- Bexpressões adversativas para fazer ressalvas às afirmações elogiosas.
- Cinterlocução com o leitor para corroborar opiniões contrárias à adaptação.
- Deufemismos que minimizam as críticas feitas à construção das personagens.
- Eantíteses que opõem a fragilidade do roteiro à beleza da trilha sonora da série.
Resolução comentada
O texto é uma resenha crítica que elogia a série, mas aponta falhas. O que interessa é como o autor introduz essas falhas.
Observe os trechos decisivos:
- "De forma alguma [...] seria capaz de argumentar que a série é perfeita, mas os defeitos que existem [...]": o "mas" une o elogio à ressalva.
- "Os roteiristas foram brilhantes [...], mas nunca souberam exatamente como fazer jus a eles": elogio seguido de crítica.
- "a série não conseguiria ser ruim nem se tentasse, mas continua sendo uma pena que [...]": de novo, o elogio é limitado pela crítica.
Essas conjunções adversativas ("mas") expressam oposição de ideias. É por meio delas que o autor faz ressalvas às afirmações elogiosas, exatamente o que o enunciado pede.
As demais alternativas não se sustentam. O autor usa a primeira pessoa ("este que vos fala"), então não há impessoalidade. Não há diálogo com o leitor para reforçar críticas. As críticas são diretas ("nunca souberam", "uma pena"), sem eufemismo. E a trilha sonora é elogiada sem ser contraposta ao roteiro por antíteses.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO autor se coloca na primeira pessoa ("este que vos fala"), assumindo a opinião, sem impessoalidade que a disfarce.
- CNão há interlocução com o leitor, e o texto não defende opiniões contrárias à adaptação.
- DAs críticas são diretas ("nunca souberam", "uma pena"), não suavizadas por eufemismos.
- EA trilha é elogiada, mas não é oposta ao roteiro por antíteses; a crítica ao roteiro vem por adversativas.
Assuntos: conjunções adversativas, resenha crítica, argumentação.
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