Questão 36 do ENEM 2021
TEXTO I

HAZOUMÉ, R. Nanawax. Plástico e tecido. Galerie Gagosian, 2009.
Disponível em: www.actuart.org. Acesso em: 19 jun. 2019.
TEXTO II
As máscaras não foram feitas para serem usadas; elas se concentram apenas nas possibilidades antropomórficas dos recipientes plásticos descartados e, ao mesmo tempo, chamam a atenção para a quantidade de lixo que se acumula em quase todas as cidades ou aldeias africanas.
FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).
Romuald Hazoumé costuma dizer que sua obra apenas manda de volta ao oeste o refugo de uma sociedade de consumo cada vez mais invasiva. A obra desse artista africano que vive no Benin denota o(a)
- Aempobrecimento do valor artístico pela combinação de diferentes matérias-primas.
- Breposicionamento estético de objetos por meio da mudança de função.
- Cconvite aos espectadores para interagir e completar obras inacabadas.
- Dmilitância com temas da ecologia que marcam o continente africano.
- Erealidade precária de suas condições de produção artística.
Resolução comentada
O artista usa um recurso típico da arte contemporânea: pegar objetos do cotidiano ou descartados e deslocá-los do uso original para o campo da arte. Isso aparece na obra e nos dois textos.
Passos do raciocínio:
- O Texto I mostra uma escultura em que um recipiente plástico, que servia para guardar líquidos, vira o rosto de uma máscara. As tiras de tecido viram cabelos.
- O Texto II diz que as máscaras "não foram feitas para serem usadas". Elas exploram as "possibilidades antropomórficas" dos recipientes descartados. Ou seja, o objeto deixa de ser embalagem e passa a ser forma humana, obra de arte.
- Esse deslocamento de função muda o valor estético do objeto: o lixo ganha um novo olhar e, ao mesmo tempo, leva a uma crítica ao consumo, como diz o próprio artista ao "mandar de volta" o refugo.
Assim, o que a obra denota é o reposicionamento estético de objetos por meio da mudança de função.
As demais alternativas fogem do texto: não há empobrecimento, obra inacabada, militância ecológica como foco (o lixo é sinal de consumo, não bandeira ambiental) nem relato de precariedade do artista.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA combinação de materiais (plástico e tecido) não empobrece a obra; ela é justamente o recurso criativo.
- CO texto diz que as máscaras não são para uso e nada sugere obra inacabada ou interativa.
- DO foco é a crítica à sociedade de consumo que envia seu refugo à África, não uma militância ecológica africana.
- ENada nos textos trata das condições precárias de produção do artista; o material é escolha estética e crítica.
Assuntos: arte contemporânea, reaproveitamento de objetos, interpretação de texto verbal e visual.
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