Questão 128 do ENEM 2016

2º dia · Linguagens, Códigos

O filme Menina de ouro conta a história de Maggie Fitzgerald, uma garçonete de 31 anos que vive sozinha em condições humildes e sonha em se tornar uma boxeadora profissional treinada por Frankie Dunn.

Em uma cena, assim que o treinador atravessa a porta do corredor onde ela se encontra, Maggie o aborda e, a caminho da saída, pergunta a ele se está interessado em treiná-la. Frankie responde: “Eu não treino garotas”. Após essa fala, ele vira as costas e vai embora. Aqui, percebemos, em Frankie, um comportamento ancorado na representação de que boxe é esporte de homem e, em Maggie, a superação da concepção de que os ringues são tradicionalmente masculinos.

Historicamente construída, a feminilidade dominante atribui a submissão, a fragilidade e a passividade a uma “natureza feminina”. Numa concepção hegemônica dos gêneros, feminilidades e masculinidades encontram-se em extremidades opostas.

No entanto, algumas mulheres, indiferentes às convenções sociais, sentem-se seduzidas e desafiadas a aderirem à prática das modalidades consideradas masculinas. É o que observamos em Maggie, que se mostra determinada e insiste em seu objetivo de ser treinada por Frankie.

FERNANDES, V.; MOURÃO, L. Menina de ouro e a representação de feminilidades plurais. Movimento, n. 4, out.-dez. 2014 (adaptado).

A inserção da personagem Maggie na prática corporal do boxe indica a possibilidade da construção de uma feminilidade marcada pela

  1. A
    adequação da mulher a uma modalidade esportiva alinhada a seu gênero.
  2. B
    valorização de comportamentos e atitudes normalmente associados à mulher.
  3. C
    transposição de limites impostos à mulher num espaço de predomínio masculino.
  4. D
    aceitação de padrões sociais acerca da participação da mulher nas lutas corporais.
  5. E
    naturalização de barreiras socioculturais responsáveis pela exclusão da mulher no boxe.
Resolução comentada

O texto discute gênero e esporte. Pela concepção hegemônica, feminilidade seria submissão, fragilidade e passividade, e o boxe seria "coisa de homem". Essa divisão é uma construção histórica, não uma "natureza".

A personagem Maggie mostra o contrário:

  1. Frankie diz "Eu não treino garotas", expressando a representação de que o ringue é masculino.
  2. O texto afirma que Maggie representa "a superação da concepção de que os ringues são tradicionalmente masculinos".
  3. Ela é "indiferente às convenções sociais", "determinada" e insiste em ser treinada.

Assim, sua entrada no boxe indica uma feminilidade que rompe as fronteiras impostas às mulheres, ocupando um espaço em que predominam os homens. Isso corresponde à ideia de transpor limites impostos à mulher num espaço de predomínio masculino.

As demais alternativas ou defendem a ideia que o texto critica (adequação, aceitação, naturalização das barreiras) ou dizem que Maggie reafirma comportamentos tradicionalmente femininos, o que contradiz o texto.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADiz que o boxe seria adequado ao gênero feminino, mas o texto mostra que ele é visto como masculino e que Maggie rompe essa associação.
  • BMaggie foge dos comportamentos normalmente associados à mulher (submissão, fragilidade), não os valoriza.
  • DMaggie não aceita os padrões sociais; ela os desafia.
  • ENaturalizar as barreiras seria aceitá-las, o oposto da atitude de Maggie, que as supera.

Assuntos: gênero e esporte, interpretação de texto, representações de feminilidade.

Ver como caiu na prova Questão 128 no caderno Azul do ENEM 2016

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