Redação nota 1000 do Enem 2014: Gabriela Almeida Costa
Desde o início da expansão da rede dos meios de comunicação no Brasil, em especial o rádio e a televisão, a mídia publicitária tem veiculado propagandas destinadas ao público infantil, mesmo que os produtos ou serviços anunciados não sejam destinados a este. Na década de 1970, por exemplo, era transmitida no rádio a propaganda de um banco utilizando personagens folclóricos, chamando a atenção das crianças que, assim, persuadiam os pais a consumir.
É sabido que, no período da infância, o ser humano ainda não desenvolveu claramente seu senso crítico, e assim é facilmente influenciado por personagens de desenhos animados, filmes, gibis, ou simplesmente pela combinação de sons e cores de que a publicidade dispõe. Os adolescentes também são alvo, numa fase em que o consumo pode ser sinônimo de autoafirmação. Ciente deste fato, a mídia cria os mais diversos produtos fazendo uso desses atributos, como brindes em lanches, produtos de higiene com imagens de personagens e até mesmo utilizando atores e modelos mirins nos comerciais.
Muitos pais têm então se queixado do comportamento consumista de seus filhos, apelando para organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Em abril de 2014, foi aprovada uma resolução que julga abusiva essa publicidade infantil, gerando conflitos entre as empresas, organizações publicitárias e os defensores dos direitos deste público-alvo. Entretanto, tal resolução configura um importante passo dado pelo Brasil com relação ao marketing infantil. Alguns países cujo índice de escolaridade é maior que o brasileiro já possuem legislação que limita os conteúdos e horários de exibição dos comerciais destinados às crianças. Outros, como a Noruega, proíbem completamente qualquer publicidade infantil.
A legislação brasileira necessita, portanto, continuar a romper com as barreiras impostas pela indústria publicitária, a fim de garantir que o público supracitado não seja alvo de interesses comerciais por sua inocência e fácil persuasão. No âmbito educacional, as escolas devem auxiliar na formação de cidadãos com discernimento e capacidade crítica. Desta forma, é importante que sejam ensinados e discutidos nas salas de aula os conceitos de cidadania, consumismo, publicidade e etc., adequando-os a cada faixa etária.
Texto como o INEP publicou, com os desvios do participante.
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Comentário da banca
A participante demonstra, pelas construções sintáticas, pela escolha lexical e de registro, excelente domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. Não há erros gramaticais ou de convenções da escrita, a não ser a ausência de vírgula depois de “crianças” (primeiro parágrafo, linha 6), marcando oração explicativa; e o emprego indevido do conectivo “e” antes de “etc.” (4° parágrafo). A redação organiza-se em quatro parágrafos bem construídos e bem articulados entre si.
A participante desenvolve o tema proposto no enunciado da prova de redação, por meio de argumentação consistente, com base em repertório sociocultural produtivo, já que extrapola as ideias dos textos motivadores caracterizando as estratégias utilizadas pela publicidade para persuadir e afirmando que crianças e adolescentes são vulneráveis à propaganda por não estarem completamente formados.
Retoma adequadamente as informações apresentadas nos textos motivadores, de maneira autoral e crítica. Apresenta também excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Em seu texto, o tema é desenvolvido de modo consistente e articulado ao ponto de vista defendido, com progressão fluente.
A tese desenvolvida é a de que é necessário romper com as exigências da indústria publicitária uma vez que o público infantil é suscetível a influências e facilmente conduzido ao consumo exacerbado. Enfim, a redação apresenta encadeamento entre as ideias e demonstra competência em selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos e argumentos em defesa de um ponto de vista: o tema é desenvolvido de forma coerente, os argumentos selecionados são consistentes e a conclusão é relacionada ao ponto de vista adotado.
A participante articula bem as informações, os argumentos, as partes do texto e apresenta, sem inadequações, repertório diversificado de recursos coesivos, tais como: “mesmo que”, “por exemplo”, “assim” (1° parágrafo); “deste fato” (2° parágrafo); “então”, “Entretanto”, “tal”, “cujo”, “Outros” (3° parágrafo); “portanto”, “Desta forma” (4° parágrafo).
A proposta de intervenção apresentada sugere que seja alterada a legislação brasileira sobre o tema, e que as escolas devam contribuir para a formação de cidadãos conscientes e críticos mediante discussão de temas como: cidadania, consumismo e publicidade. Trata-se de proposta de intervenção bem elaborada, relacionada ao tema, decorrente da discussão desenvolvida no texto, abrangente e detalhada.
Fonte: INEP, Redação no Enem 2016: cartilha do participante, página 44 do PDF, sob licença CC BY-NC (uso não comercial). Texto transcrito do PDF, com a formatação do site; o original está em “Ver como o INEP publicou”.