PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 42 do ENEM 2008
Existe uma regra religiosa, aceita pelos praticantes do judaísmo e do islamismo, que proíbe o consumo de carne de porco. Estabelecida na Antiguidade, quando os judeus viviam em regiões áridas, foi adotada, séculos depois, por árabes islamizados, que também eram povos do deserto. Essa regra pode ser entendida como
- Auma demonstração de que o islamismo é um ramo do judaísmo tradicional.
- Bum indício de que a carne de porco era rejeitada em toda a Ásia.
- Cuma certeza de que do judaísmo surgiu o islamismo.
- Duma prova de que a carne do porco era largamente consumida fora das regiões áridas.
- Euma crença antiga de que o porco é um animal impuro.
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Resolução comentada
O enunciado informa três coisas: a proibição surgiu na Antiguidade, entre judeus de regiões áridas; séculos depois, foi adotada por árabes islamizados; e esses árabes também viviam no deserto. Ou seja, o texto descreve uma regra religiosa que atravessou povos e épocas em ambientes parecidos.
A pergunta é o que essa regra "pode ser entendida como". Cada alternativa afirma mais do que o texto permite, menos uma.
- O texto não diz que o islamismo é um ramo do judaísmo, nem que dele surgiu. Diz só que duas religiões compartilham uma proibição. Isso não prova parentesco doutrinal ou origem (A e C).
- Também não há base para afirmar que a rejeição ao porco valia para toda a Ásia (B). O texto trata de dois povos específicos.
- A ideia de que o porco era muito consumido fora das áreas áridas (D) é uma dedução que o texto não faz. Ele não compara regiões quanto ao consumo.
- O que o texto sustenta é que, em ambas as religiões, existe uma crença antiga e transmitida de que o porco é impuro, e por isso sua carne é proibida. Essa leitura se limita ao que foi dito: uma regra religiosa, antiga e herdada.
Por isso, a única afirmação que o texto permite fazer sem extrapolar é a da crença na impureza do animal.
Alternativa E.
Pegadinha: As alternativas A, C e D usam termos fortes ("demonstração", "certeza", "prova") para tirar do texto conclusões que ele não sustenta; só a E se limita ao que foi dito.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ACompartilhar uma proibição não prova que o islamismo seja ramo do judaísmo; é conclusão que o texto não autoriza.
- BGeneraliza para toda a Ásia algo que o texto atribui apenas a judeus e árabes.
- CTransforma uma semelhança de regra em certeza de origem histórica, o que o texto não afirma.
- DO texto não trata do consumo de porco fora das áreas áridas, então não há prova disso.
Assuntos: Cultura, etnocentrismo e relativismo cultural, Religião e sociedade.
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