PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 12 do ENEM 2008
Texto para as questões 12 e 13 · Amarela
Torno a ver-vos, ó montes; o destino Aqui me torna a pôr nestes outeiros, Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte, rico e fino.
Aqui estou entre Almendro, entre Corino, Os meus fiéis, meus doces companheiros, Vendo correr os míseros vaqueiros Atrás de seu cansado desatino.
Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,
Aqui descanse a louca fantasia, E o que até agora se tornava em pranto Se converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.
- AOs “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.
- BA oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.
- CO bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.
- DA relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.
- EA realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.
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Resolução comentada
O soneto é de um poeta árcade que viveu na Colônia (Minas Gerais), estudou e conviveu com a Corte em Portugal e agora retorna. Os elementos árcades aparecem: cenário pastoril (montes, outeiros, vaqueiros, choupana), nomes de pastores (Almendro, Corino), elogio da vida simples e crítica ao "lisonjeiro encanto" da cidade (fugere urbem).
A tensão do poema está em dois mundos:
- Metrópole/cidade: "traje da Corte, rico e fino", "lisonjeiro encanto", "louca fantasia", fonte de pranto.
- Colônia/campo: "gabões grosseiros", "choupana", "outeiros", lugar onde o eu lírico deseja descansar.
O poeta valoriza o campo, mas o chama de "grosseiro" e "míseros vaqueiros", e reconhece o fascínio da Cidade, que tem "valia" e "encanto". Isso mostra um sujeito dividido entre a civilidade urbana da Metrópole e a rusticidade da Colônia, o que corresponde à alternativa B.
As demais falham: os montes pertencem à Colônia, não à Metrópole (A); o bucolismo é convenção literária, não realismo (C); a choupana vence a cidade no plano do sentimento, não na história real (D); o pranto que vira alegria é estado emocional, não retrato do atraso colonial (E).
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AOs montes e outeiros são o cenário da Colônia, onde o poeta deixou os gabões; o traje fino é que remete à Corte.
- CO bucolismo árcade é uma convenção idealizada e não uma representação realista da vida nacional.
- DA vantagem da choupana é um valor moral e sentimental do eu lírico, não reprodução de uma vantagem histórica real da Colônia.
- EA passagem do pranto à alegria expressa o estado emocional do poeta, não o atraso social, político e econômico.
Assunto: Arcadismo.
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