PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 20 do ENEM 2007

Prova · História: Anos 1920: tenentismo, modernismo e crise da República

São Paulo, 18 de agosto de 1929.

Carlos [Drummond de Andrade],

Achei graça e gozei com o seu entusiasmo pela candidatura Getúlio Vargas – João Pessoa. É. Mas veja como estamos... trocados. Esse entusiasmo devia ser meu e sou eu que conservo o ceticismo que deveria ser de você. (...).

Eu... eu contemplo numa torcida apenas simpática a candidatura Getúlio Vargas, que antes desejara tanto. Mas pra mim, presentemente, essa candidatura (única aceitável, está claro) fica manchada por essas pazes fragílimas de governistas mineiros, gaúchos, paraibanos (...), com democráticos paulistas (que pararam de atacar o Bernardes) e oposicionistas cariocas e gaúchos. Tudo isso não me entristece. Continuo reconhecendo a existência de males necessários, porém me afasta do meu país e da candidatura Getúlio Vargas. Repito: única aceitável.

Mário [de Andrade]

Renato Lemos. Bem traçadas linhas: a história do Brasil em cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 305.

Acerca da crise política ocorrida em fins da Primeira República, a carta do paulista Mário de Andrade ao mineiro Carlos Drummond de Andrade revela

  1. A
    a simpatia de Drummond pela candidatura Vargas e o desencanto de Mário de Andrade com as composições políticas sustentadas por Vargas.
  2. B
    a veneração de Drummond e Mário de Andrade ao gaúcho Getúlio Vargas, que se aliou à oligarquia cafeeira de São Paulo.
  3. C
    a concordância entre Mário de Andrade e Drummond quanto ao caráter inovador de Vargas, que fez uma ampla aliança para derrotar a oligarquia mineira.
  4. D
    a discordância entre Mário de Andrade e Drummond sobre a importância da aliança entre Vargas e o paulista Júlio Prestes nas eleições presidenciais.
  5. E
    o otimismo de Mário de Andrade em relação a Getúlio Vargas, que se recusara a fazer alianças políticas para vencer as eleições.
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Resolução comentada

A carta é de 1929, no contexto da campanha da Aliança Liberal (Getúlio Vargas, presidente, e João Pessoa, vice), que se opunha à candidatura de Júlio Prestes, apoiada pelo governo de Washington Luís.

O que o texto diz, passo a passo:

  1. Mário afirma que acha graça no "entusiasmo" de Drummond pela candidatura Vargas–João Pessoa. Logo, Drummond é simpático a ela.
  2. Mário diz que os papéis estão "trocados": o entusiasmo que deveria ser dele (que antes desejara tanto essa candidatura) agora é de Drummond, e o ceticismo que seria de Drummond ficou com ele.
  3. O motivo do desencanto: a candidatura fica "manchada" pelas "pazes fragílimas" entre governistas mineiros, gaúchos e paraibanos, democráticos paulistas e oposicionistas cariocas e gaúchos. Ou seja, as composições políticas, as alianças amplas e pouco coerentes, feitas em torno de Vargas.
  4. Mesmo assim, Mário repete que Vargas é a candidatura "única aceitável". Ele não rompe com Vargas, apenas critica as alianças.

Portanto, a carta mostra a simpatia de Drummond pela candidatura e o desencanto de Mário com as alianças políticas que sustentavam Vargas.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BMário não venera Vargas, tem ceticismo; e Vargas era oposição à oligarquia paulista, não aliado dela.
  • COs dois não concordam: Mário é cético e Drummond, entusiasmado; o texto não fala em caráter inovador nem em derrotar a oligarquia mineira.
  • DA carta não menciona Júlio Prestes; a divergência é sobre o entusiasmo com Vargas e suas alianças.
  • EMário não está otimista, e Vargas fez sim alianças, que são justamente o motivo da crítica.

Assuntos: Anos 1920: tenentismo, modernismo e crise da República, República Oligárquica: coronelismo e café com leite.

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