PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 10 do ENEM 2007
Texto para as questões 10 e 11 · Amarela
Álcool, crescimento e pobreza
O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos anos 80, esse trabalhador cortava cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia.
O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quentes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. O excesso de trabalho causa a birola: tontura, desmaio, cãibra, convulsão. A fim de agüentar dores e cansaço, esse trabalhador toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Tem aumentado o número de mortes por exaustão nos canaviais.
O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. As pesquisas, privada e pública, na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolvem a bioquímica e a genética no país.
Folha de S. Paulo, 11/3/2007 (com adaptações).
ÁLCOOL: O MUNDO DE OLHO EM NOSSA TECNOLOGIA

— Ah, fico meio encabulado em ter
de comer com a mão diante de tanta gente!
Folha de S. Paulo, 25/3/2007.
Confrontando-se as informações do texto com as da charge acima, conclui-se que
- Aa charge contradiz o texto ao mostrar que o Brasil possui tecnologia avançada no setor agrícola.
- Ba charge e o texto abordam, a respeito da cana-de-açúcar brasileira, duas realidades distintas e sem relação entre si.
- Co texto e a charge consideram a agricultura brasileira avançada, do ponto de vista tecnológico.
- Da charge mostra o cotidiano do trabalhador, e o texto defende o fim da mecanização da produção da cana-de-açúcar no setor sucroalcooleiro.
- Eo texto mostra disparidades na agricultura brasileira, na qual convivem alta tecnologia e condições precárias de trabalho, que a charge ironiza.
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Resolução comentada
O texto mostra dois lados do setor sucroalcooleiro. De um lado, há tecnologia e riqueza: o setor responde por cerca de 3,5% do PIB, exporta US$ 8 bilhões, gera a própria energia elétrica, contrata cientistas e engenheiros e investe em pesquisa de bioquímica e genética. De outro, há condições precárias para quem corta a cana: trabalho encurvado, roupas quentes, a birola, uso de drogas para aguentar o cansaço, mortes por exaustão e pagamento de R$ 2,50 por tonelada.
A charge tem o título "Álcool: o mundo de olho em nossa tecnologia". Mostra boias-frias comendo com as mãos, em meio ao canavial. O trabalhador diz que fica encabulado de comer com a mão "diante de tanta gente", isto é, diante do mundo que olha para nossa tecnologia. A ironia está no contraste: a tecnologia admirada convive com trabalhadores sem talheres e em condições rudimentares.
Portanto, o texto expõe a disparidade entre alta tecnologia e precariedade do trabalho, e a charge ironiza essa mesma disparidade. Ela não contradiz o texto: reforça a crítica dele.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA charge não contradiz o texto; ela ironiza o mesmo contraste entre tecnologia e precariedade.
- BTexto e charge tratam da mesma realidade e estão diretamente relacionados.
- CIgnora a crítica: ambos denunciam as condições precárias, não só elogiam a tecnologia.
- DO texto não defende o fim da mecanização; ele apenas aponta que ela aumentou a exigência de produtividade.
Assuntos: Intertextualidade e comparação entre textos, Charge, tirinha, cartum e HQ.
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