PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 63 do ENEM 2003

Prova · Português: Intertextualidade e comparação entre textos

À esquerda, reprodução da pintura Operários, de Tarsila do Amaral, retratando diversos rostos de trabalhadores sobrepostos em pirâmide diante de chaminés e fábricas. À direita, o texto crítico de Nádia Gotlib analisando a obra. Abaixo de cada coluna constam seus respectivos créditos: "(Tarsila do Amaral, Operários.)" e "(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)".

O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:

  1. A
    “Pensem nas meninas
    Cegas inexatas
    Pensem nas mulheres
    Rotas alteradas.”
    (Vinícius de Moraes)
  2. B
    “Somos muitos severinos
    iguais em tudo e na sina:
    a de abrandar estas pedras
    suando-se muito em cima.”
    (João Cabral de Melo Neto)
  3. C
    “O funcionário público
    não cabe no poema
    com seu salário de fome
    sua vida fechada em arquivos.”
    (Ferreira Gullar)
  4. D
    “Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os
    sonhos do mundo.”
    (Fernando Pessoa)
  5. E
    “Os inocentes do Leblon
    Não viram o navio entrar (...)
    Os inocentes, definitivamente inocentes tudo
    ignoravam,
    mas a areia é quente, e há um óleo suave
    que eles passam pelas costas, e aquecem.”
    (Carlos Drummond de Andrade)
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Resolução comentada

O texto de Nádia Gotlib diz que os operários, embora diferentes na fisionomia, na cor e na raça, são iguais enquanto frente de trabalho: rostos colados, em pirâmide que se prolonga infinitamente, "como mercadoria que se acumula". O tema é a massificação do trabalhador, que perde a individualidade e vira peça de produção, e a condição de classe que todos compartilham.

O que procuramos, então, é um verso que fale de pessoas diferentes, mas iguais na sina de trabalhar e sofrer.

  1. Em (B), "Somos muitos severinos / iguais em tudo e na sina" traz a mesma ideia: muitos indivíduos com nomes e rostos distintos, mas iguais no destino de trabalho duro ("suando-se muito em cima").
  2. Em (A), o foco são as mulheres marcadas pelo sofrimento e pela deficiência, sem relação com o trabalho coletivo.
  3. Em (C), a crítica é ao funcionário público mal pago, tratado de modo individual, sem a ideia de multidão igualada.
  4. Em (D), há a angústia individual do eu lírico.
  5. Em (E), a crítica é à alienação da classe privilegiada.

Só (B) une a pluralidade de pessoas com a igualdade da condição de trabalhador.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Atrata do sofrimento de meninas e mulheres, sem a ideia de trabalhadores igualados pela condição de trabalho.
  • Ccritica a situação de um funcionário específico, sem a multidão uniformizada pelo trabalho.
  • Dexpressa a angústia existencial individual, o oposto da massa de operários.
  • Eretrata a alienação de uma classe favorecida, não a condição dos trabalhadores.

Assuntos: Intertextualidade e comparação entre textos, Linguagem verbal e não verbal (textos multimodais).

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