PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 54 do ENEM 2003
No dia 7 de outubro de 2001, Estados Unidos e Grã-Bretanha declararam guerra ao regime Talibã, no Afeganistão.
Leia trechos das declarações do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e de Osama Bin Laden, líder muçulmano, nessa ocasião:
George Bush:
Um comandante-chefe envia os filhos e filhas dos Estados Unidos à batalha em território estrangeiro somente depois de tomar o maior cuidado e depois de rezar muito. Pedimos-lhes que estejam preparados para o sacrifício das próprias vidas. A partir de 11 de setembro, uma geração inteira de jovens americanos teve uma nova percepção do valor da liberdade, do seu preço, do seu dever e do seu sacrifício. Que Deus continue a abençoar os Estados Unidos.
Osama Bin Laden:
Deus abençoou um grupo de vanguarda de muçulmanos, a linha de frente do Islã, para destruir os Estados Unidos. Um milhão de crianças foram mortas no Iraque, e para eles isso não é uma questão clara. Mas quando pouco mais de dez foram mortos em Nairóbi e Dar-es-Salaam, o Afeganistão e o Iraque foram bombardeados e a hipocrisia ficou atrás da cabeça dos infiéis internacionais. Digo a eles que esses acontecimentos dividiram o mundo em dois campos, o campo dos fiéis e o campo dos infiéis. Que Deus nos proteja deles.
(Adaptados de O Estado de S. Paulo, 8/10/2001)
Pode-se afirmar que
- Aa justificativa das ações militares encontra sentido apenas nos argumentos de George W. Bush.
- Ba justificativa das ações militares encontra sentido apenas nos argumentos de Osama Bin Laden.
- Cambos apóiam-se num discurso de fundo religioso para justificar o sacrifício e reivindicar a justiça.
- Dambos tentam associar a noção de justiça a valores de ordem política, dissociando-a de princípios religiosos.
- Eambos tentam separar a noção de justiça das justificativas de ordem religiosa, fundamentando-a numa estratégia militar.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
A questão pede o ponto em comum entre os dois discursos. Vamos olhar o que cada um faz com a religião.
-
Bush: fala em "rezar muito", pede o "sacrifício das próprias vidas" em nome da liberdade e encerra com "Que Deus continue a abençoar os Estados Unidos". A guerra é apresentada como dever moral, com Deus ao lado dos americanos.
-
Bin Laden: afirma que "Deus abençoou um grupo de vanguarda de muçulmanos", divide o mundo entre "fiéis" e "infiéis" e termina com "Que Deus nos proteja deles". Aqui também a violência é justificada em termos religiosos, e ele reclama justiça ao denunciar a morte de crianças iraquianas e a "hipocrisia" do outro lado.
Os dois, portanto, invocam Deus para legitimar o sacrifício de vidas e para reivindicar justiça para o seu lado. Cada um se coloca como beneficiário da bênção divina.
Agora, as alternativas:
- (A) e (B) dizem que só um dos lados tem justificativa, mas o texto não toma partido; ele mostra que os dois usam o mesmo tipo de argumento.
- (D) e (E) afirmam que ambos separam a justiça da religião, o que contradiz as menções a Deus, à fé e à bênção divina nos dois trechos.
Só a alternativa que reconhece o fundo religioso comum está de acordo com os textos.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AToma partido de Bush, mas a questão pede a comparação, e o texto não valida só um lado.
- BToma partido de Bin Laden, sem base no texto, que mostra o mesmo recurso nos dois discursos.
- DDiz que ambos dissociam justiça e religião, mas os dois invocam Deus e a fé o tempo todo.
- EAfirma que fundamentam a justiça em estratégia militar, sem religião, o que contradiz as referências a Deus.
Assunto: Oriente Médio e conflito árabe-israelense.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova