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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 1 do ENEM 2001

Prova · Português: Conectivos e relações lógico-semânticas

O mundo é grande

O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.

Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões lingüísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as idéias relacionadas, um sentido de

  1. A
    oposição.
  2. B
    comparação.
  3. C
    conclusão.
  4. D
    alternância.
  5. E
    finalidade.
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Resolução comentada

A conjunção repetida no poema é o e, que aparece em "O mundo é grande e cabe", "O mar é grande e cabe" e "O amor é grande e cabe". A questão pede o sentido que ela estabelece entre as ideias ligadas.

O ponto é perceber que a conjunção não liga orações independentes quaisquer, mas duas ideias que parecem contrárias: "é grande" e "cabe" em algo pequeno.

  1. Em "O mundo é grande e cabe nesta janela", o normal seria que algo grande não coubesse num espaço pequeno.
  2. O mesmo ocorre com o mar, que cabe na cama, e com o amor, que cabe no "breve espaço de beijar".
  3. Nos três casos, a segunda ideia contraria a expectativa criada pela primeira.

Esse é o valor de oposição (adversidade), que equivale a "mas", "porém", "no entanto". Dá para reescrever: "O mundo é grande, mas cabe nesta janela". O "e" aqui é uma conjunção aditiva que assume sentido adversativo pelo contexto.

Não há comparação (sem "como" ou "mais que"), conclusão (sem "portanto"), alternância (sem "ou") nem finalidade (sem "para que").

Alternativa A.

Pegadinha: A pegadinha é que o "e" costuma ser lido como simples adição; a alternativa A exige notar que, no contexto, ele equivale a "mas".

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BNão há termo comparativo (como, tal qual, mais que); o poema não compara, e sim contrapõe grande e pequeno.
  • CCabe no espaço pequeno não é consequência de ser grande; não há relação de conclusão (portanto, logo).
  • DAlternância exigiria ideias que se revezam, como "ou... ou"; aqui as duas ideias coexistem.
  • EFinalidade exigiria "para que" ou "a fim de"; o mundo não é grande com o objetivo de caber na janela.

Assunto: Conectivos e relações lógico-semânticas.

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Este texto também caiu em

Ver como caiu na prova Questão 1 no caderno Amarela do ENEM 2001