Questão 38 do ENEM PPL 2019
A identificação simbólica que existe na cultura esportiva pode ser um fator determinante nas ações potencialmente agressivas dos espectadores e torcedores de futebol. Essa identificação em indivíduos que não têm uma identidade própria pode levá-los a não perceber os limites entre a sua vida e a sua equipe, ou entre a sua vida e a vida de um ídolo (jogador), e, dessa forma, passar a viver suas emoções basicamente por meio de acontecimentos esportivos, do sucesso e da derrota de seu clube predileto. Alguns dos torcedores organizados dedicam a vida à sua torcida. Vivem para ela e, por ela, chegam a perder qualquer outra referência, pois é essa experiência compensatória que lhes dá identidade. A probabilidade de um indivíduo se tornar um torcedor fanático está diretamente relacionada com a construção da sua identidade. Por isso, é imprescindível o desenvolvimento de relações e valores próprios que o ajudarão a delinear o limite entre ele e a sua equipe, ou entre ele e um jogador de futebol.
REIS, H. H. B. Futebol e violência. Campinas: Armazém do Ipê; Autores Associados, 2006 (adaptado).
Partindo da discussão sobre as relações entre o torcedor e seu clube, observa-se que o fanatismo futebolístico
- Aderiva da falta de referências para a construção de valores morais em crise na sociedade.
- Bestá relacionado à fragilidade identitária, o que dificulta a dissociação entre sua vida e a de seu clube ou ídolo.
- Cperde sustentação naqueles torcedores organizados que não conseguem separar as esferas pública e privada.
- Ddecorre do estabelecimento de uma identidade própria do indivíduo, forjada pela tutela do clube e de seus ídolos.
- Eé restrito às torcidas jovens, que corrompem a identidade individual de seus torcedores em favor da identidade coletiva.
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Resolução comentada
O texto trabalha com a ideia de identificação simbólica: quando a pessoa não tem identidade própria bem construída, ela transfere para o clube ou para o ídolo a referência de quem ela é. Isso leva ao fanatismo.
Acompanhe a cadeia de raciocínio do texto:
- Indivíduos sem identidade própria "não percebem os limites entre a sua vida e a sua equipe".
- Por isso passam a viver suas emoções pelo sucesso e pela derrota do clube.
- A experiência com a torcida é "compensatória": ela dá a identidade que faltava.
- Conclusão do autor: a chance de virar torcedor fanático "está diretamente relacionada com a construção da sua identidade". Por isso é preciso desenvolver valores próprios que tracem o limite entre o indivíduo e a equipe.
Portanto, o fanatismo se liga à fragilidade da identidade, que impede separar a vida pessoal da vida do clube ou do jogador.
A alternativa B diz exatamente isso. As demais desviam o sentido: falam de crise moral geral, de esferas pública e privada, de uma identidade que o clube constrói ou de uma restrição aos jovens, e nada disso aparece no texto.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Aatribui o fanatismo a uma crise de valores morais da sociedade, ideia que não está no texto, que fala de identidade individual.
- Co texto não trata de esferas pública e privada, e diz que o fanatismo ocorre justamente entre os organizados que perdem referências.
- Dinverte a lógica: o fanatismo vem da ausência de identidade própria, não de uma identidade própria estabelecida.
- Erestringe o fenômeno aos jovens, algo que o texto não afirma, e fala em corromper identidade, o que o texto não sustenta.
Assuntos: interpretação de texto, identidade e cultura esportiva.
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