Questão 34 do ENEM PPL 2018
TEXTO I

ATAÍDE, M. C. Coroação de Nossa Senhora de Porciúncula. Detalhe da pintura do forro da nave da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto. 1801-12.
Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br. Acesso em: 30 out. 2015.
TEXTO II
Manuel da Costa Ataíde (Mariana, MG, 1762-1830), assim como os demais artistas do seu tempo, recorria a bíblias e a missais impressos na Europa como ponto de partida para a seleção iconográfica das suas composições, que então recriava com inventiva liberdade.
Se Mário de Andrade houvesse conseguido a oportunidade de acesso aos meios de aproximação ótica da pintura dos forros de Manuel da Costa Ataíde, imaginamos como não teria vibrado com o mulatismo das figuras do mestre marianense, ratificando, ao lado de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a sua percepção pioneira de um surto de racialidade brasileira em nossa terra, em pleno século XVIII.
FROTA, L. C. Ataíde: vida e obra de Manuel da Costa Ataíde. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
O Texto II destaca a inovação na representação artística setecentista, expressa no Texto I pela
- Areprodução de episódios bíblicos.
- Bretratação de elementos europeus.
- Cvalorização do sincretismo religioso.
- Drecuperação do antropocentrismo clássico.
- Eincorporação de características identitárias.
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Resolução comentada
O Texto II diz que Ataíde partia de bíblias e missais europeus, ou seja, de temas e modelos religiosos tradicionais. Mas ele "recriava com inventiva liberdade". A novidade está nessa recriação, que o texto exemplifica com o mulatismo das figuras, isto é, os traços mestiços, e com a "racialidade brasileira" que Mário de Andrade teria percebido.
No Texto I, a imagem mostra Nossa Senhora, tema religioso europeu, mas com feições mestiças. Essas feições incorporam à arte sacra a marca do povo brasileiro, ou seja, características identitárias.
Agora, a conferência das alternativas:
- Reproduzir episódios bíblicos é o ponto de partida, não a inovação.
- Elementos europeus também são a base herdada, não a novidade.
- O texto não trata da mistura de religiões, e sim da mistura de traços raciais.
- O antropocentrismo clássico remete ao Renascimento e não aparece nos textos.
- A presença de traços mestiços expressa a identidade brasileira, que é a inovação destacada.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AReproduzir episódios bíblicos é a base tradicional, não a inovação apontada.
- BOs elementos europeus são a fonte de partida; a inovação é justamente afastar-se deles.
- CNão há mistura de crenças; o que se mescla são traços raciais das figuras.
- DO antropocentrismo clássico não é mencionado nem é o foco do texto.
Assuntos: interpretação de texto verbal e não verbal, arte barroca brasileira, identidade nacional.
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