Questão 122 do ENEM PPL 2017
Uma mulher deu à luz o seu primeiro filho e, após o parto, os médicos testaram o sangue da criança para a determinação de seu grupo sanguíneo. O sangue da criança era do tipo O+. Imediatamente, a equipe médica aplicou na mãe uma solução contendo anticorpos anti-Rh, uma vez que ela tinha o tipo sanguíneo O–.
Qual é a função dessa solução de anticorpos?
- AModificar o fator Rh do próximo filho.
- BDestruir as células sanguíneas do bebê.
- CFormar uma memória imunológica na mãe.
- DNeutralizar os anticorpos produzidos pela mãe.
- EPromover a alteração do tipo sanguíneo materno.
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Resolução comentada
O problema é a eritroblastose fetal (doença hemolítica do recém-nascido). Ela ocorre quando a mãe é Rh– (rr) e o filho é Rh+ (Rr, herdando o gene R do pai).
No parto, pode haver mistura do sangue do bebê com o da mãe. As hemácias Rh+ do filho entram em contato com o sistema imune materno, que as reconhece como estranhas (antígeno Rh) e começa a produzir anticorpos anti-Rh e células de memória.
No primeiro filho, isso costuma não causar dano, pois a resposta primária é lenta e o parto já ocorreu. Numa segunda gestação com feto Rh+, porém, a mãe já sensibilizada tem memória imunológica e produz rapidamente muitos anticorpos, que atravessam a placenta e destroem as hemácias do feto.
A prevenção é aplicar na mãe, logo após o parto, a solução com anticorpos anti-Rh (imunoglobulina). Esses anticorpos prontos eliminam as hemácias Rh+ do bebê que estão na circulação materna antes que o sistema imune da mãe as reconheça. Assim, ela não se sensibiliza e não forma memória imunológica.
Portanto, a função da solução é impedir a formação de memória. Vejamos as alternativas: nenhuma diz isso com clareza, mas a que trata do que a solução evita é a única relacionada ao processo de sensibilização. A alternativa C afirma que a solução forma memória, o que é o contrário. A alternativa D, porém, também falha: os anticorpos aplicados não neutralizam anticorpos maternos, e sim os antígenos Rh. Já a B fala em destruir células do bebê, e a solução destrói as hemácias fetais que passaram para o sangue da mãe, evitando a resposta dela.
De todas, a B é a que descreve o mecanismo real: destruição das hemácias Rh+ do bebê presentes no sangue materno.
Alternativa B.
Pegadinha: A alternativa C engana ao sugerir que a solução gera memória, quando o objetivo é justamente impedir que ela se forme.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO fator Rh do filho é genético e não muda com a aplicação de anticorpos na mãe.
- CA solução evita a formação de memória imunológica, não a provoca; é a exposição ao antígeno que a formaria.
- DOs anticorpos aplicados atuam sobre as hemácias Rh+ do bebê, não sobre anticorpos da mãe, que ainda nem foram produzidos.
- EO tipo sanguíneo da mãe é determinado geneticamente e continua Rh–.
Assuntos: sistema Rh, eritroblastose fetal, imunologia.
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