Questão 130 do ENEM PPL 2016
É viajando pelo mundo que os dois profissionais do Living Tongues Institute for Endangered Languages reúnem subsídios para formar os chamados “dicionários falantes” de idiomas em fase de extinção, com poucos falantes no planeta. “A maioria das línguas do mundo é oral, o que significa que não estão escritas ou seus falantes não costumam escrevê-las. E, apesar de os projetos tradicionais dos linguistas serem os de escrever gramáticas e dicionários, gostamos de pensar em línguas vivas, e saber que as pessoas as estão falando. Então, se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi com isso em mente que criamos os dicionários para oito de algumas das línguas mais ameaçadas do mundo”, disse o linguista K. David Harrison. Para os ativistas de cada comunidade com idioma ameaçado, esse dicionário é uma ferramenta que pode ser usada para disseminar o conhecimento da língua entre os mais jovens. Para todas as outras pessoas interessadas, é a oportunidade de encontrar sons e formas de discursos humanos desconhecidos para grande parte da população do globo. É a diversidade linguística escondida e que agora pode ser revelada.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado).
Considerando o projeto dos “dicionários falantes”, compreende-se que o trabalho dos linguistas apresentado no texto objetiva
- Adestacar a importância desse tipo de iniciativa para a reconstituição de línguas extintas.
- Bratificar a tradição oral como instrumento de preservação das línguas no mundo.
- Cdemonstrar a existência de registros linguísticos sob risco de desaparecer.
- Dpreservar a memória cultural de um povo por meio de registros escritos.
- Eestimular projetos voltados para a escrita de gramáticas e dicionários.
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Resolução comentada
Os “dicionários falantes” valorizam a oralidade como forma de preservar línguas ameaçadas. Para identificar o objetivo do projeto, observe a relação entre o problema apresentado e a solução proposta pelos linguistas.
O problema é que muitas línguas têm poucos falantes e não possuem uma tradição de escrita. Por isso, elaborar apenas gramáticas e dicionários escritos não seria suficiente para conservar a maneira como essas línguas são efetivamente faladas.
A solução aparece na afirmação de Harrison: “se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo”. Os registros sonoros permitem conhecer a pronúncia e as formas de expressão dessas comunidades, respeitando o caráter oral de seus idiomas.
Além disso, o texto destaca que o material pode disseminar o conhecimento da língua entre os mais jovens. Assim, o projeto favorece a transmissão entre gerações, fundamental para que o idioma continue vivo.
Portanto, não se trata apenas de mostrar que existem línguas em risco, nem de recuperar idiomas já extintos: o objetivo é reafirmar o papel da tradição oral na preservação linguística.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAs línguas registradas estão ameaçadas, mas ainda têm falantes; não se busca reconstituir línguas extintas.
- CDemonstrar a existência de línguas ameaçadas não expressa o objetivo central de preservá-las pela oralidade.
- DO projeto privilegia registros sonoros, e não a preservação por registros escritos.
- EO texto diferencia o projeto das iniciativas tradicionais de escrita de gramáticas e dicionários.
Assuntos: interpretação de texto, oralidade, diversidade linguística.
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