Questão 18 do ENEM PPL 2015

1º dia · Ciências Humanas

Na sociedade democrática, as opiniões de cada um não são fortalezas ou castelos para que neles nos encerremos como forma de autoafirmação pessoal. Não só temos de ser capazes de exercer a razão em nossas argumentações, como também devemos desenvolver a capacidade de ser convencidos pelas melhores razões. A partir dessa perspectiva, a verdade buscada é sempre um resultado, não ponto de partida: e essa busca inclui a conversação entre iguais, a polêmica, o debate, a controvérsia.

SAVATER, F. As perguntas da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (adaptado).

A ideia de democracia presente no texto, baseada na concepção de Habermas acerca do discurso, defende que a verdade é um(a)

  1. A
    alvo objetivo alcançável por cada pessoa, como agente racional autônomo.
  2. B
    critério acima dos homens, de acordo com o qual podemos julgar quais opiniões são as melhores.
  3. C
    construção da atividade racional de comunicação entre os indivíduos, cujo resultado é um consenso.
  4. D
    produto da razão, que todo indivíduo traz latente desde o nascimento, mas que só se firma no processo educativo.
  5. E
    resultado que se encontra mais desenvolvido nos espíritos elevados, a quem cabe a tarefa de convencer os outros.
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Resolução comentada

O texto rejeita a ideia de opinião como "fortaleza": ninguém deve se fechar em suas convicções para se autoafirmar. Ele diz que, além de argumentar com razão, é preciso ser capaz de ser convencido pelas melhores razões.

O ponto central está na frase: a verdade é sempre um resultado, não ponto de partida. Ela é buscada na "conversação entre iguais", no debate e na controvérsia.

Essa é a ideia de Habermas sobre o discurso, a chamada razão comunicativa. Para ele, a verdade e a validade das normas surgem do diálogo racional entre sujeitos em condição de igualdade, e o resultado é um consenso construído por argumentos, não uma verdade pronta.

Comparando com as alternativas:

  1. A verdade não é alcançada por cada pessoa isoladamente, pois o texto exige a conversação entre iguais.
  2. Não há um critério externo, acima dos homens, pois a verdade é resultado do debate.
  3. Não se fala de razão inata nem de educação como fundamento.
  4. Não há "espíritos elevados" com o papel de convencer os demais, pois todos são iguais e todos podem ser convencidos.

Só a alternativa que define a verdade como construção da comunicação racional entre os indivíduos, com o consenso como resultado, corresponde ao texto.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ATrata a verdade como alvo individual de um agente autônomo, ignorando que o texto a apresenta como fruto da conversação entre iguais.
  • BSupõe um critério externo e superior aos homens, contrário à verdade como resultado do debate.
  • DAtribui a verdade a uma razão inata individual, ideia inatista que o texto não defende.
  • ECria uma hierarquia de espíritos elevados que convencem os outros, contradizendo a igualdade e a abertura a ser convencido.

Assuntos: Habermas, razão comunicativa, democracia e verdade.

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