Questão 110 do ENEM PPL 2015

2º dia · Linguagens, Códigos

Em primeiro lugar gostaria de manifestar os meus agradecimentos pela honra de vir outra vez à Galiza e conversar não só com os antigos colegas, alguns dos quais fazem parte da mesa, mas também com novos colegas, que pertencem à nova geração, em cujas mãos, com toda certeza, está também o destino do Galego na Galiza, e principalmente o destino do Galego incorporado à grande família lusófona.

E, portanto, é com muito prazer que teço algumas considerações sobre o tema apresentado. Escolhi como tema como os fundadores da Academia Brasileira de Letras viam a língua portuguesa no seu tempo. Como sabem, a nossa Academia, fundada em 1897, está agora completando 110 anos, foi organizada por uma reunião de jornalistas, literatos, poetas que se reuniam na secretaria da Revista Brasileira, dirigida por um crítico literário e por um literato chamado José Veríssimo, natural do Pará, e desse entusiasmo saiu a ideia de se criar a Academia Brasileira, depois anexada ao seu título: Academia Brasileira de Letras.

Nesse sentido, Machado de Assis, que foi o primeiro presidente desde a sua inauguração até a data de sua morte, em 1908, imaginava que a nossa Academia deveria ser uma academia de Letras, portanto, de literatos.

BECHARA, E. Disponível em: www.academiagalega.org. Acesso em: 31 jul. 2012.

No trecho da palestra proferida por Evanildo Bechara, na Academia Galega da Língua Portuguesa, verifica-se o uso de estruturas gramaticais típicas da norma padrão da língua. Esse uso

  1. A
    torna a fala inacessível aos não especialistas no assunto abordado.
  2. B
    contribui para a clareza e a organização da fala no nível de formalidade esperado para a situação.
  3. C
    atribui à palestra características linguísticas restritas à modalidade escrita da língua portuguesa.
  4. D
    dificulta a compreensão do auditório para preservar o caráter rebuscado da fala.
  5. E
    evidencia distanciamento entre o palestrante e o auditório para atender os objetivos do gênero palestra.
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Resolução comentada

A questão pede o efeito do uso da norma padrão na palestra de Bechara.

Primeiro, o contexto: é uma palestra numa academia, diante de um público de estudiosos, e o falante é um filólogo respeitado. Nessa situação, espera-se uma linguagem formal, monitorada.

Segundo, o texto mostra marcas da norma padrão: uso de "em cujas mãos" (pronome relativo), concordância cuidadosa ("alguns dos quais fazem parte da mesa"), colocação pronominal e conectivos como "portanto" e "nesse sentido". Essas estruturas organizam as ideias em sequência: agradecimento, apresentação do tema, contextualização histórica e conclusão sobre Machado de Assis.

Terceiro, o efeito: a norma padrão aqui não atrapalha a compreensão, pois as frases são lógicas e bem encadeadas. Ela adéqua a fala ao grau de formalidade da situação e ajuda na clareza e na organização.

As demais alternativas atribuem efeitos negativos ou falsos: inacessibilidade, dificuldade proposital, exclusividade da escrita ou distanciamento do público. Nada no texto sustenta isso; ao contrário, o palestrante cumprimenta e se aproxima dos ouvintes ("antigos colegas", "novos colegas").

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto é claro e acessível; a norma padrão não o torna incompreensível a não especialistas.
  • CEstruturas da norma padrão também ocorrem na fala formal; não são restritas à escrita.
  • DAfirma que há intenção de dificultar a compreensão, o que não se sustenta no texto.
  • EO palestrante busca aproximação com o auditório (agradecimentos, "colegas"), não distanciamento.

Assuntos: norma padrão, adequação linguística, língua falada e escrita.

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