Questão 6 do ENEM PPL 2014
Ao falar do caráter de um homem não dizemos que ele é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, referindo-se ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor chamamos virtude.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, 1973.
Em Aristóteles, o conceito de virtude ética expressa a
- Aexcelência de atividades praticadas em consonância com o bem comum.
- Bconcretização utilitária de ações que revelam a manifestação de propósitos privados.
- Cconcordância das ações humanas aos preceitos emanados da divindade.
- Drealização de ações que permitem a configuração da paz interior.
- Emanifestação de ações estéticas, coroadas de adorno e beleza.
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Resolução comentada
O trecho de Aristóteles separa duas coisas: a sabedoria (virtude intelectual, ligada ao entendimento) e o caráter, que se descreve com termos como "calmo" ou "temperante" (virtude ética ou moral). Para ele, a virtude ética não nasce com a pessoa nem é só saber: é um hábito (héxis), formado pela prática repetida de ações boas, e por isso é digna de louvor.
Como o texto diz que "aos hábitos dignos de louvor chamamos virtude", a virtude é a excelência de um comportamento adquirido pela prática. Na Ética a Nicômaco, esse hábito visa o meio-termo entre o excesso e a falta, e a felicidade (eudaimonia) vivida na pólis, ou seja, em comunidade. A finalidade das ações virtuosas é, portanto, o bem, tanto do indivíduo quanto da cidade.
Conferindo as alternativas:
- A ideia de excelência de atividades ligadas ao bem comum combina com o hábito louvável e com a dimensão política da ética aristotélica.
- Interesses privados e utilidade não definem a virtude.
- Preceitos divinos ligam-se à moral religiosa, não a Aristóteles.
- Paz interior lembra mais os estoicos e epicuristas.
- Beleza e adorno não são o critério da virtude ética.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BReduz a virtude a utilidade e interesse privado, o que o texto e Aristóteles não afirmam.
- CAtribui a virtude a preceitos divinos, ideia alheia à ética aristotélica, baseada no hábito.
- DPaz interior é um objetivo das escolas helenísticas, não a definição aristotélica de virtude ética.
- EConfunde virtude com estética, adorno e beleza, sem apoio no texto.
Assuntos: ética aristotélica, virtude, filosofia antiga.
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