Questão 32 do ENEM PPL 2014

1º dia · Ciências Humanas

De modo geral, os logradouros de Fortaleza, até meados do século XIX, eram conhecidos por designações surgidas da tradição ou de funções e edificações que lhes caracterizavam. Assim, chamava-se Travessa da Municipalidade (atual Guilherme Rocha) por ladear o prédio da Intendência Municipal; S. Bernardo (hoje Pedro Pereira) por conta de igreja homônima; Rua do Cajueiro (atual Pedro Borges) por abrigar uma das mais antigas e populares árvores da capital. Já a Praça José de Alencar, na década de 1850, era popularmente designada por Praça do Patrocínio, pois em seu lado norte se encontrava uma igreja homônima.

SILVA FILHO, A. L. M. Fortaleza: imagens da cidade. Fortaleza: Museu do Ceará; Secult-CE, 2001 (adaptado).

Os atos de nomeação dos logradouros, analisados de uma perspectiva histórica, constituem

  1. A
    formas de promover os nomes das autoridades imperiais.
  2. B
    modos oficiais e populares de produção da memória nas cidades.
  3. C
    recursos arquitetônicos funcionais à racionalização do espaço urbano.
  4. D
    maneiras de hierarquizar estratos sociais e dividir as populações urbanas.
  5. E
    mecanismos de imposição dos itinerários sociais e fluxos econômicos na cidade.
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Resolução comentada

O texto mostra que, até meados do século XIX, as ruas de Fortaleza eram nomeadas de modo espontâneo, pela tradição e pelas funções ou edificações do lugar: a Travessa da Municipalidade ladeava a Intendência, S. Bernardo lembrava uma igreja, a Rua do Cajueiro tinha uma árvore popular e a Praça do Patrocínio tinha a igreja do Patrocínio. Depois, esses nomes populares foram trocados por nomes oficiais, como Guilherme Rocha, Pedro Pereira, Pedro Borges e José de Alencar.

Olhando pela história, dar nome a um logradouro é registrar aquilo que a sociedade quer lembrar. Há a memória popular, que nomeia pelo uso cotidiano, e a memória oficial, que nomeia por decisão do poder público. Os dois tipos de nome aparecem no texto: o antigo e o atual.

Agora, cada alternativa:

  1. Nada no texto fala de autoridades imperiais.
  2. Os nomes não têm função de racionalizar o espaço nem de hierarquizar grupos sociais.
  3. Também não há imposição de itinerários ou de fluxos econômicos.
  4. Só a ideia de memória, popular e oficial, dá conta do conjunto dos exemplos.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto não cita autoridades imperiais; os nomes antigos vêm de igrejas, prédios e árvores.
  • CNomear não é recurso arquitetônico nem tem a ver com racionalizar o espaço urbano.
  • DNada no texto indica divisão ou hierarquia entre estratos sociais.
  • ENão há referência a imposição de itinerários sociais ou fluxos econômicos.

Assuntos: memória e patrimônio, urbanização, história das cidades.

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