Questão 42 do ENEM PPL 2013
A vinda da família real deslocou definitivamente o eixo da vida administrativa da Colônia para o Rio de Janeiro, mudando também a fisionomia da cidade. A presença da Corte implicava uma alteração do acanhado cenário urbano da Colônia, mas a marca do absolutismo acompanharia a alteração.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995 (fragmento).
As transformações ocorridas na cidade do Rio de Janeiro em decorrência da presença da Corte estavam limitadas à superfície das estruturas sociais porque
- Aa pujança do desenvolvimento comercial e industrial retirava da agricultura de exportação a posição de atividade econômica central na Colônia.
- Ba expansão das atividades econômicas e o desenvolvimento de novos hábitos conviviam com a exploração do trabalho escravo.
- Ca emergência das práticas liberais, com a abertura dos portos, impedia uma renovação política em prol da formação de uma sociedade menos desigual.
- Da integração das elites políticas regionais, sob a liderança do Rio de Janeiro, ensejava a formação de um projeto político separatista de cunho republicano.
- Ea dinamização da economia urbana retardava o letramento de mulatos e imigrantes, importante para as necessidades do trabalho na cidade.
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Resolução comentada
O trecho de Boris Fausto diz que a chegada da Corte em 1808 transformou o Rio de Janeiro: novas instituições (Banco do Brasil, Biblioteca Real, Imprensa Régia, Jardim Botânico), abertura dos portos, mais comércio e novos hábitos de vida urbana, inspirados na Europa. Mas a "marca do absolutismo" permaneceu. Ou seja, a mudança foi de fachada, sem alterar a base da sociedade colonial.
O que sustentava essa base era a escravidão. O Rio de Janeiro recebeu muitos africanos escravizados no período joanino, e o trabalho escravo continuou sendo a força produtiva central, tanto no campo quanto na cidade. A hierarquia social rígida, a concentração de riqueza e o poder absoluto do rei seguiram intactos.
Analisando as alternativas:
- A: a agricultura de exportação continuou central; não houve industrialização relevante nessa época (até proibida pelo alvará de 1785, só revogado em 1808, sem efeito imediato).
- B: descreve exatamente o contraste do texto: modernização (economia e hábitos) convivendo com a escravidão, que limita a mudança à superfície.
- C: o liberalismo econômico da abertura dos portos não impediu reforma política; o problema é o absolutismo e a escravidão, e não práticas liberais.
- D: o projeto separatista republicano não decorre da Corte; o Rio integrava as elites em torno da monarquia.
- E: não há base histórica para dizer que a economia urbana retardava o letramento.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAfirma que comércio e indústria substituíram a agricultura de exportação, o que não ocorreu na época.
- CTrata a abertura dos portos como obstáculo à renovação política, invertendo a causa; o entrave era o absolutismo e a escravidão.
- DFala em projeto separatista republicano, contrário ao apoio das elites à monarquia sediada no Rio.
- EAtribui o limite das mudanças ao atraso do letramento, sem relação com o texto nem com os fatos.
Assuntos: período joanino, escravidão colonial, absolutismo.
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