Questão 30 do ENEM PPL 2013
Queixume das operárias da seda
Sempre tecemos panos de seda
E nem por isso vestiremos melhor [...]
Nunca seremos capazes de ganhar tanto
Que possamos ter melhor comida [...]
Pois a obra de nossas mãos
Nenhuma de nós terá para se manter [...]
E estamos em grande miséria
Mas, com os nossos salários, enriquece aquele para quem trabalhamos
Grande parte das noites ficamos acordadas
E todo o dia para isso ganhar
Ameaçam-nos de nos moer de pancada
Os membros quando descansamos
E assim, não nos atrevemos a repousar.
CHRÉTIEN DE TROYES apud LE GOFF. J. Civilização do Ocidente Medieval.
Lisboa: Edições 70, 1992.
Tendo em vista as transformações socioeconômicas da Europa Ocidental durante a Baixa Idade Média, o texto apresenta a seguinte situação:
- AUso da coerção no mundo do trabalho artesanal.
- BDeslocamento das trabalhadoras do campo para as cidades.
- CDesorganização do trabalho pela introdução do assalariamento.
- DEnfraquecimento dos laços que ligavam patrões e empregadas.
- EGanho das artífices pela introdução da remuneração pelo seu trabalho.
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Resolução comentada
Na Baixa Idade Média (séculos XI a XV), o renascimento comercial e urbano fez crescer as oficinas artesanais nas cidades, como a de tecelagem de seda do poema. Nelas, o trabalho era pago com salário, mas a exploração era intensa.
O que o texto mostra, passo a passo:
- As operárias tecem seda e não têm como comprar boa roupa nem boa comida: o salário é baixo, e quem enriquece é o patrão ("com os nossos salários, enriquece aquele para quem trabalhamos").
- Elas passam noites em claro e trabalham o dia todo para receber o pagamento.
- Há a ameaça de violência física: "Ameaçam-nos de nos moer de pancada os membros quando descansamos". Por isso "não nos atrevemos a repousar".
A ameaça de pancadaria para impedir o descanso é coerção, isto é, força usada para obrigar a trabalhar. Ela aparece dentro de uma oficina artesanal urbana, ligada ao mundo do trabalho das corporações e do comércio em expansão.
As demais alternativas dizem algo que o poema não mostra: não há migração do campo, nem desorganização do trabalho, nem afrouxamento de vínculos, nem ganho para as operárias.
Alternativa A.
Pegadinha: A alternativa E engana ao ver o "salário" no texto e concluir que houve ganho, quando o poema denuncia salário miserável.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BO poema não fala de migração do campo para a cidade; isso seria inferência sem apoio no texto.
- CO assalariamento aparece, mas o texto não indica desorganização do trabalho; mostra exploração.
- DOs laços entre patrões e empregadas são de forte dependência e controle, não enfraquecidos.
- EO salário existe, mas é insuficiente; quem enriquece é o patrão, não as artífices.
Assuntos: baixa idade média, trabalho artesanal urbano, interpretação de texto histórico.
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