Questão 2 do ENEM PPL 2013
A Inglaterra deve governar o mundo porque é a melhor; o poder deve ser usado; seus concorrentes imperiais não são dignos; suas colônias devem crescer, prosperar e continuar ligadas a ela. Somos dominantes, porque temos o poder (industrial, tecnológico, militar, moral), e elas não; elas são inferiores; nós, superiores, e assim por diante.
SAID, E. Cultura e imperialismo. São Paulo: Cia das Letras, 1995 (adaptado).
O texto reproduz argumentos utilizados pelas potências europeias para dominação de regiões na África e na Ásia, a partir de 1870. Tais argumentos justificavam suas ações imperialistas, concebendo-as como parte de uma
- Acruzada religiosa.
- Bcatequese cristã.
- Cmissão civilizatória.
- Dexpansão comercial ultramarina.
- Epolítica exterior multiculturalista.
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Resolução comentada
O texto mostra a lógica do imperialismo do século XIX (neocolonialismo): a Inglaterra deve governar "porque é a melhor", tem poder "industrial, tecnológico, militar, moral", e os povos dominados são "inferiores".
Essa lógica se apoiava no eurocentrismo e no darwinismo social, que classificavam os povos em superiores e inferiores. Os europeus se viam como portadores de progresso, ciência, técnica e moral e, por isso, com o "dever" de conduzir os povos da África e da Ásia. A ideia ficou conhecida como "fardo do homem branco" ou "missão civilizatória".
Passo a passo:
- O texto fala de superioridade industrial, tecnológica e moral, ou seja, de civilização, e não de religião.
- Ele afirma que os dominados são inferiores e por isso devem ser governados, o que é a justificativa de uma missão de "civilizar".
- Não há menção a fé, evangelização ou comércio; o argumento é de superioridade cultural e racial.
- Também não há respeito às diferenças, o que exclui o multiculturalismo.
A justificativa, portanto, é a de uma missão civilizatória.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ACruzada religiosa remete à Idade Média; o texto não cita religião, e sim poder e superioridade civilizacional.
- BCatequese cristã foi argumento do colonialismo moderno, mas o texto destaca poder industrial, tecnológico e militar, não evangelização.
- DA expansão comercial ultramarina é dos séculos XV e XVI e o texto não trata de comércio, e sim de superioridade.
- EMulticulturalismo valoriza a diversidade; o texto trata os dominados como inferiores.
Assuntos: imperialismo, neocolonialismo, eurocentrismo.
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