Questão 5 do ENEM PPL 2012
“É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento.”
Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo. Apud RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
A frase do último presidente do regime militar indicava a ambiguidade da transição política no país. Neste contexto, houve resistências internas ao processo de distensão planejado pela alta cúpula militar, que se manifestaram com
- Aas campanhas no rádio, TV e jornais em favor da lei de anistia.
- Bas posições de prefeitos e governadores em apoio à instalação de eleições diretas.
- Cas articulações no Congresso pela convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
- Dos atos criminosos, como a explosão de bombas, de militares inconformados com o fim da ditadura.
- Eas articulações dos parlamentares do PDS, PMDB e PT em prol da candidatura de Tancredo Neves à presidência.
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Resolução comentada
A frase de Figueiredo ("é para abrir mesmo... prendo e arrebento") mostra que a abertura política, chamada de "lenta, gradual e segura", era conduzida pelo próprio regime. Ela era ambígua: prometia democratização, mas ameaçava quem se opusesse.
O enunciado pede a resistência interna à distensão, isto é, a que veio de dentro do aparato militar, da chamada "linha dura". Quem resistia eram militares e grupos de extrema-direita que não aceitavam o fim da ditadura.
Os episódios mais conhecidos dessa reação são:
- cartas-bomba enviadas a entidades como a OAB e a jornais, em 1980;
- a bomba na sede da OAB, no Rio, que matou uma funcionária;
- o atentado do Riocentro, em 1981, quando uma bomba explodiu no carro de militares durante um show comemorativo do Dia do Trabalhador.
Os objetivos eram criar clima de terror e frear a abertura.
As demais alternativas descrevem movimentos da sociedade civil e de políticos favoráveis à redemocratização (anistia, Diretas Já, Constituinte, Tancredo Neves). Isso é pressão pela abertura, não resistência interna a ela.
Portanto, a resistência dos militares inconformados se manifestou em atos criminosos como as bombas.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Aa campanha pela anistia era um movimento da sociedade civil a favor da abertura, não resistência interna dos militares.
- Bo apoio de prefeitos e governadores às eleições diretas era pressão pela democratização, vinda de fora da cúpula militar.
- Ca articulação por uma nova Constituinte era demanda de oposição e sociedade civil, favorável à abertura.
- Ea candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral representou a transição negociada, não uma resistência à distensão.
Assuntos: ditadura militar, abertura política, linha dura.
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