Questão 5 do ENEM PPL 2012

1º dia · Ciências Humanas

“É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento.”

Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo. Apud RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

A frase do último presidente do regime militar indicava a ambiguidade da transição política no país. Neste contexto, houve resistências internas ao processo de distensão planejado pela alta cúpula militar, que se manifestaram com

  1. A
    as campanhas no rádio, TV e jornais em favor da lei de anistia.
  2. B
    as posições de prefeitos e governadores em apoio à instalação de eleições diretas.
  3. C
    as articulações no Congresso pela convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
  4. D
    os atos criminosos, como a explosão de bombas, de militares inconformados com o fim da ditadura.
  5. E
    as articulações dos parlamentares do PDS, PMDB e PT em prol da candidatura de Tancredo Neves à presidência.
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Resolução comentada

A frase de Figueiredo ("é para abrir mesmo... prendo e arrebento") mostra que a abertura política, chamada de "lenta, gradual e segura", era conduzida pelo próprio regime. Ela era ambígua: prometia democratização, mas ameaçava quem se opusesse.

O enunciado pede a resistência interna à distensão, isto é, a que veio de dentro do aparato militar, da chamada "linha dura". Quem resistia eram militares e grupos de extrema-direita que não aceitavam o fim da ditadura.

Os episódios mais conhecidos dessa reação são:

  1. cartas-bomba enviadas a entidades como a OAB e a jornais, em 1980;
  2. a bomba na sede da OAB, no Rio, que matou uma funcionária;
  3. o atentado do Riocentro, em 1981, quando uma bomba explodiu no carro de militares durante um show comemorativo do Dia do Trabalhador.

Os objetivos eram criar clima de terror e frear a abertura.

As demais alternativas descrevem movimentos da sociedade civil e de políticos favoráveis à redemocratização (anistia, Diretas Já, Constituinte, Tancredo Neves). Isso é pressão pela abertura, não resistência interna a ela.

Portanto, a resistência dos militares inconformados se manifestou em atos criminosos como as bombas.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aa campanha pela anistia era um movimento da sociedade civil a favor da abertura, não resistência interna dos militares.
  • Bo apoio de prefeitos e governadores às eleições diretas era pressão pela democratização, vinda de fora da cúpula militar.
  • Ca articulação por uma nova Constituinte era demanda de oposição e sociedade civil, favorável à abertura.
  • Ea candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral representou a transição negociada, não uma resistência à distensão.

Assuntos: ditadura militar, abertura política, linha dura.

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