PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 59 da UNICAMP 2027
Em 2026, a expressão I’m gagged, ou apenas gag, em português, tornou-se popular nas redes sociais. Leia a transcrição de um vídeo publicado pelo linguista Adam Aleksic sobre essa expressão.

“We’re seeing an increase in the use of words and phrases like 'gag' and 'I'm gagged' and it shows how language spreads on social media: by straight white girls adopting what gay and black people are saying. That's what happened with the words 'slay', 'serve', and 'mother'. They came from the ballroom scene in the late 1980s, became viral on TikTok, and then everybody started saying it. The original appeal of these words was that they signaled in-group status, but they’ve lost that exclusivity. This is also why the word 'gagged' is now trending: it signals queer excitement (…). And it's going to be taken too, because we're in a never-ending cycle of marginalized groups creating slang as a tool of power to build community and shared identity, and then other people taking that slang to capitalize on its perceived coolness.”
(Adaptado de ALEKSIC, A. In: Instagram de @etymologynerd. Disponível em https://www.tiktok.com/@etymologynerd/video/7357723597768576298. Acesso em 27/05/2026.)
Em sua análise, Aleksic
- Adefende o poder das redes sociais de propagar a diversidade sociolinguística.
- Besclarece a função de algumas gírias na demarcação de território e identidade cultural.
- Cilustra o direito de grupos minoritarizados de recusarem a apropriação cultural que sofrem.
- Ddescreve a busca de grupos dominantes pela exclusividade no uso de gírias específicas.
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Resolução comentada
O linguista descreve um processo: grupos marginalizados (comunidade gay e negra, vindos da cena ballroom dos anos 1980) criam gírias como "slay", "serve", "mother" e "gagged". Essas palavras viralizam no TikTok e são adotadas por outras pessoas, no texto, "straight white girls". Com isso, perdem a exclusividade.
O trecho decisivo é: "The original appeal of these words was that they signaled in-group status" (o atrativo original dessas palavras era sinalizar pertencimento a um grupo). Mais adiante, ele diz que esses grupos criam gírias "as a tool of power to build community and shared identity" (como ferramenta de poder para construir comunidade e identidade compartilhada).
As alternativas, então, ficam assim:
- A fala de Aleksic não elogia a rede social. Ela mostra que a difusão leva à apropriação e à perda do valor identitário. Logo, (A) não serve.
- A gíria funciona como marca de pertencimento e identidade de um grupo, que a usa para delimitar seu espaço. Isso corresponde a (B).
- Ele não discute um "direito" de recusar a apropriação. Apenas descreve o ciclo. Logo, (C) não serve.
- Quem busca exclusividade são os grupos marginalizados, não os dominantes. Estes é que tomam a gíria emprestada. Logo, (D) inverte os papéis.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AAleksic não defende as redes; mostra que elas diluem a gíria ao difundi-la, e o foco não é a diversidade sociolinguística.
- CO texto descreve o ciclo de apropriação, mas não trata de direito de recusa nem o defende.
- DInverte os papéis: quem cria a gíria e lhe dá exclusividade são os grupos marginalizados, e os dominantes a tomam depois.
Assunto: Variação linguística e diversidade cultural.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2027. Prova oficial ↗