Questão 61 da UNICAMP 2026

1ª fase

Leia os textos 1 e 2.

Texto 1

Aos óculos

Só fingem que põem
o mundo ao alcance
dos meus olhos míopes.

Na verdade, me exilam
dele com filtrar-lhe
a menor imagem.

Já não vejo as coisas
como são: vejo-as como eles querem
que as veja.

Logo, são eles que veem,
não eu que, mesmo cônscio
do logro, lhes sou grato

por anteciparem em mim
o Édipo curioso
de suas próprias trevas.

(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 63, 1992.)

Texto 2

“Do grego odé e do latim ōde (ou ōda), a ode era, na antiguidade clássica, um poema destinado a ser cantado, ou um canto alegre, triste ou lírico. Era um poema de alguma extensão, de elevado assunto ou nobre, expressando sentimentos ilustres, em homenagem a algo ou a alguém. Apresentava também a elaboração estrófica, bem como estilo formal nobre e cerimonioso”.

(Adaptado do verbete “Ode”, elaborado por Ana Ladeira. In: CEIA, C. E-Dicionário de termos literários (projeto abrigado pela Universidade Nova de Lisboa). Disponível em https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode. Acesso em 31/05/2025.)

É correto afirmar que a ode mínima de José Paulo Paes reelabora a definição clássica de “ode” ao

  1. A
    respeitar a elevação do assunto, a nobreza do tom e os sentimentos ilustres.
  2. B
    utilizar-se de um tom elevado e cerimonioso para a homenagem.
  3. C
    dirigir-se a um objeto, vinculando-se ao gênero canção popular.
  4. D
    celebrar um objeto fundamental, os óculos, e não algo/alguém ilustre.
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