PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 27 da UNICAMP 2026

1ª fase · Filosofia: Filosofia helenística e romana

Os textos 1 e 2 apresentam a compreensão de Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C), magistrado e Cônsul da República Romana, sobre o tema da justiça.

Texto 1

“Convém recorrer aos fundamentos da justiça que propus no começo: primeiro, a ninguém prejudicar, depois, servir à utilidade comum”.

(CÍCERO, Marco Túlio. Dos deveres. UFJF, p. 1-31, 2021.)

Texto 2

“Único, com efeito, é o direito a partir do qual a sociedade dos homens foi congregada, e una a lei que o constituiu, lei que é a reta razão ao obrigar e proibir. Quem a ignora é injusto, esteja ela escrita em algum lugar ou em nenhum. Se a justiça é obediência às leis escritas e às instituições dos povos, e se (como dizem aqueles mesmos aos quais me referi) todas as coisas devem ser medidas pela utilidade, negligenciará as leis e as destruirá, se o puder, aquele que assim julgá-lo vantajoso para si; do que se segue que absolutamente não há justiça, se esta não é fundada na natureza, e a que se constitui por causa da utilidade é deteriorada por essa utilidade”.

(CÍCERO, Marco Túlio. Sobre as leis. UFJF, p. 1-46, 2021.)

Considerando os textos, escolha a alternativa correta.

  1. A
    A justiça consiste na obediência às leis escritas e às instituições dos povos: deve servir à utilidade comum e não à utilidade daquilo que é vantajoso para si.
  2. B
    A utilidade comum é o fundamento da justiça de uma República e, para serem justos, os cidadãos devem agir conforme a reta razão, com a qual a natureza lhes dotou.
  3. C
    A reta razão, enquanto lei natural, é a base da justiça. A injustiça ocorre quando a utilidade deixa de ser a medida de todas as coisas.
  4. D
    Se a justiça é agir conforme a reta razão e a utilidade é um dos fundamentos da justiça, agir com vistas aquilo que é vantajoso para si é justo.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Cícero defende no texto 1 que a justiça tem dois fundamentos: não prejudicar ninguém e servir à utilidade comum. No texto 2, ele diz que o direito é único e nasce da natureza, como "reta razão" que obriga e proíbe. Quem a ignora é injusto, esteja ela escrita ou não.

O texto 2 também critica quem mede tudo pela utilidade própria. Esse tipo de pessoa desobedece às leis quando lhe convém. Por isso, a justiça que se baseia só na utilidade "é deteriorada por essa utilidade". A justiça precisa se fundar na natureza.

Assim, a utilidade que Cícero aceita é a comum, e ela está subordinada à lei natural, que é a reta razão.

Avaliando as alternativas:

  1. A confunde justiça com obediência às leis escritas. Cícero rejeita essa ideia no texto 2, pois a lei natural vale mesmo sem estar escrita.
  2. B une corretamente os dois textos: utilidade comum como fundamento da justiça e ação conforme a reta razão, que é natural.
  3. C inverte o texto 2, porque Cícero critica a utilidade como medida de todas as coisas.
  4. D conclui que agir pelo próprio proveito é justo, o oposto do que Cícero afirma.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADefine justiça como obediência às leis escritas, ideia que Cícero rejeita no texto 2 ao fundar a justiça na natureza.
  • CDiz que a injustiça surge quando a utilidade deixa de ser medida de tudo, mas Cícero critica justamente essa medida.
  • DConclui que agir pelo proveito próprio é justo, quando o texto 1 fala em utilidade comum e o texto 2 condena o interesse individual.

Assunto: Filosofia helenística e romana.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2026. Prova oficial ↗