PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 30 da UNICAMP 2017
“Rios caudalosos, florestas impenetráveis, tribos indígenas desconhecidas e histórias de animais gigantes que se alimentam de seres humanos. Um cenário assustador para a maioria, mas perfeito para aventureiros em busca de fama e riqueza no final do século XIX e início do XX. Foi nessa época que a Amazônia recebeu milhares de trabalhadores para a indústria de extração da borracha e para a construção de uma ferrovia de quase 400 quilômetros, que escoaria essa produção cortando os rios Madeira e Mamoré, a oeste do atual estado de Rondônia.”
(Cristina Romanelli, “A ferro e sangue”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/a-ferro-e-sangue. Acessado em 05/08/2016.)
A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
- Aera um símbolo de progresso que contrastava com um surto de febre amarela, pois a floresta, com suas características físicas, era um habitat propício para o mosquito do gênero Aedes.
- Bera um evidente desperdício de recursos, pois as condições sanitárias da região eram precárias, e contribuiu para um grande surto de cólera, comprometendo o plano de ocupar a fronteira territorial com a Bolívia.
- Cera uma propaganda da pujança brasileira em contraponto aos vizinhos bolivianos e um surto de dengue ocorreu pela presença de imigrantes que não tinham imunidade contra o mosquito do gênero Aedes.
- Dfoi bem sucedida, apesar de um surto de malária trazido pelos imigrantes oriundos do Nordeste e que dizimou a população indígena da região.
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Resolução comentada
A ferrovia deve ser entendida no contexto do ciclo da borracha, quando a exploração do látex atraiu investimentos e trabalhadores para a Amazônia. Sua função era contornar os trechos encachoeirados dos rios Madeira e Mamoré, facilitando o transporte da produção até as rotas de exportação.
Nesse contexto, a estrada de ferro representava o ideal de progresso e modernização associado às grandes obras de engenharia. Esse ideal, porém, contrastava com as condições de trabalho e os riscos sanitários: doenças transmitidas por mosquitos, como a febre amarela e a malária, atingiam os trabalhadores. É esse contraste que sustenta a alternativa A.
A alternativa B transforma as dificuldades sanitárias em prova de que a obra seria um desperdício e atribui ao cólera o papel central. A C apresenta uma explicação biologicamente incorreta: a imunidade se desenvolve contra agentes infecciosos, não contra o mosquito. Já a D erra ao atribuir a chegada da malária aos nordestinos, pois a doença já existia na região, além de apresentar a obra como simplesmente bem-sucedida.
Alternativa A.
Pegadinha: A alternativa C engana ao falar em falta de imunidade contra o mosquito, quando a imunidade se refere ao agente infeccioso.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BAtribui ao cólera o papel central na crise sanitária e trata as dificuldades da obra como prova de desperdício de recursos.
- CConfunde imunidade contra o vírus da dengue com uma suposta imunidade contra o mosquito transmissor.
- DA malária já existia na Amazônia, não tendo sido introduzida pelos trabalhadores nordestinos.
Assunto: República Oligárquica: coronelismo e café com leite.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2017. Prova oficial ↗