PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 89 da UNICAMP 2016
Morro da Babilônia
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua
Geral).
Quando houve revolução, os soldados
espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.19.)
No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade,
- Aa menção à cidade do Rio de Janeiro é feita de modo indireto, metonimicamente, pela referência ao Morro da Babilônia.
- Bo sentimento do mundo é representado pela percepção particular sobre a cidade do Rio de Janeiro, aludida pela metáfora do Morro da Babilônia.
- Co tratamento dado ao Morro da Babilônia assemelha-se ao que é dado a uma pessoa, o que caracteriza a figura de estilo denominada paronomásia.
- Da referência ao Morro da Babilônia produz, no percurso figurativo do poema, um oxímoro: a relação entre terror e gentileza no espaço urbano.
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Resolução comentada
A metonímia ocorre quando um termo representa outro com o qual mantém uma relação de proximidade, como a parte pelo todo. É isso que acontece no poema: o Morro da Babilônia, localizado no Rio de Janeiro, permite reconhecer a cidade sem que seu nome seja mencionado. Um espaço particular remete, portanto, ao conjunto urbano do qual faz parte.
Essa relação não é uma metáfora. Na metáfora, há uma aproximação por semelhança entre elementos diferentes; aqui, o morro é efetivamente parte da cidade, e não uma imagem criada para compará-la a outra coisa.
O poema também atribui ao morro uma atitude humana ao apresentar o som do cavaquinho como “uma gentileza do morro”. Esse recurso é a personificação, não a paronomásia, que consiste na aproximação de palavras com sons semelhantes.
Por fim, “terror” e “gentileza” mostram percepções contrastantes daquele espaço. Essa mudança de perspectiva não constitui um oxímoro, figura que reúne sentidos contraditórios numa mesma expressão, como “silêncio ensurdecedor”.
Alternativa A.
Pegadinha: A alternativa C descreve uma personificação, mas a identifica incorretamente como paronomásia.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BConfunde a relação metonímica entre o morro e a cidade com uma metáfora.
- CA atribuição de características humanas ao morro é personificação, não paronomásia.
- DO contraste entre terror e gentileza ao longo do poema não constitui um oxímoro.
Assunto: Figuras de palavra: metáfora, comparação e metonímia.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗