PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 64 da UNICAMP 2016
Desde a queda do império comunista na Europa, nos anos 1989-1991, assiste-se a uma nova forma de messianismo político que consiste em impor o regime democrático e os direitos humanos pela força.
(Adaptado de Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 55.)
O quadro descrito pelo texto pode ser analisado
- Acomo herança das lutas anticoloniais exemplificada na organização em torno do Estado multiétnico, como ocorreu na África do Sul.
- Bcomo parte da nova ordem mundial sob a liderança dos EUA e seu poder bélico em regiões como a Síria e o Afeganistão.
- Ccomo o estabelecimento de um princípio que desestabiliza as lógicas internas de organização, como ocorreu no Iraque e na ex-Iugoslávia.
- Dcomo herança da Guerra Fria e como utilização da lógica militar que inviabiliza a adoção da democracia em regiões como a Ucrânia.
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Resolução comentada
O texto de Todorov fala de um "messianismo político" surgido depois do fim do bloco comunista (1989-1991): a ideia de que a democracia e os direitos humanos podem ser impostos pela força, por meio de intervenção militar.
Para responder, é preciso achar a alternativa que relacione esse quadro ao período pós-Guerra Fria e ao uso do poder bélico para exportar a democracia.
- Com o colapso da URSS, os EUA ficaram como superpotência única, e passaram a liderar uma "nova ordem mundial".
- Nesse contexto, houve intervenções militares justificadas em nome da democracia e dos direitos humanos, como no Afeganistão (2001) e, de forma ligada à Primavera Árabe e à guerra civil, na Síria.
- Isso coincide com o que o texto descreve: impor um regime político pela força.
As demais alternativas falham:
- A trata da luta anticolonial e do Estado multiétnico sul-africano, que é um processo interno, sem intervenção imposta.
- C afirma que o princípio "desestabiliza lógicas internas", o que é uma consequência possível, mas ela cita a ex-Iugoslávia, caso de desintegração por conflitos étnicos, e não o foco do texto, que é a liderança da imposição.
- D diz que a lógica militar "inviabiliza" a democracia na Ucrânia, o que não é a crítica do texto e confunde causas.
O texto aponta a imposição armada da democracia no período pós-Guerra Fria, e a alternativa B liga isso à hegemonia dos EUA e ao seu poder bélico.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA África do Sul teve transição interna após o apartheid, sem democracia imposta por força externa.
- CDesloca o foco para a desestabilização interna e para a ex-Iugoslávia, quando o texto trata da imposição armada da democracia.
- DLiga o quadro à Guerra Fria e à Ucrânia, mas o texto fala do período posterior ao seu fim, e a ideia de "inviabilizar" a democracia não aparece.
Assunto: Guerra Fria e nova ordem mundial.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗