PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 59 da UNICAMP 2016

1ª fase · História: Baixa Idade Média: Cruzadas, renascimento comercial e crise do século XIV

“Uma categoria inferior de servidores que coexiste nas grandes casas com os domésticos livres são os escravos. Um recenseamento enumera em Gênova, em 1458, mais de 2 mil. As mulheres estão em uma proporção esmagadora (97,5%) e 40% não têm ainda 23 anos. São totalmente desamparadas; todos na casa a repreendem, todos batem nela (patrão, mãe, filhos crescidos) e os testemunhos de processos em que elas comparecem mostram-nas vivendo, frequentemente no temor de pancadas. Em Gênova e Veneza, a escrava-criada é essencial no prestígio das nobres e ricas matronas.

(Adaptado de Charles De la Roncière, “A vida privada dos notáveis toscanos no limiar da Renascença”, em Georges Duby (org.), História da vida privada - da Europa feudal à Renascença, vol 2. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 235-236.)

Sobre o trabalho nas cidades italianas do período em questão, podemos afirmar corretamente que:

  1. A
    O declínio da escravidão está ligado ao novo conceito antropocêntrico do ser humano e a uma nova dignidade da condição feminina no final da Idade Média.
  2. B
    O trabalho servil era predominantemente feminino e concorria com o trabalho escravo. A escravidão diminuiu com essa concorrência, desdobrando-se no trabalho livre.
  3. C
    Conviviam inúmeras formas de trabalho livre, semilivre e escravo no universo europeu e a sobreposição não era, em si, contraditória.
  4. D
    O uso do castigo corporal igualava as escravas a outros trabalhadores e foi o motivo das rebeliões camponesas do período (jacqueries) e agitações urbanas.
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Resolução comentada

O texto mostra que, em Gênova (1458), havia mais de 2 mil escravos, quase todos mulheres, que viviam ao lado dos "domésticos livres" nas grandes casas. Ou seja, no fim da Idade Média e início da Renascença italiana, a escravidão doméstica não tinha desaparecido, e convivia com o trabalho livre. Havia ainda a servidão no campo e o trabalho assalariado nas cidades.

Vamos conferir cada alternativa:

  1. Declínio da escravidão por causa do antropocentrismo e de uma "nova dignidade feminina": o texto mostra o contrário, pois as escravas eram maltratadas e serviam ao prestígio das matronas. Além disso, a escravidão estava em uso, não em declínio.
  2. Trabalho servil não é o mesmo que trabalho escravo, e o texto não diz que a escravidão diminuiu por concorrência. Servidão e escravidão são condições distintas.
  3. Coexistência de formas livres, semilivres e escravas: é exatamente o que o texto descreve ("coexiste nas grandes casas com os domésticos livres"). Na sociedade europeia da época, essa sobreposição não era contraditória.
  4. As jacqueries foram revoltas camponesas contra a exploração senhorial e os impostos, não contra o castigo corporal de escravas domésticas.

Portanto, a única afirmação coerente com o documento e com o contexto histórico é a de que várias formas de trabalho conviviam.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO texto mostra escravas maltratadas e em número expressivo, sem sinal de declínio nem de nova dignidade feminina.
  • BConfunde trabalho servil com escravo e inventa uma diminuição da escravidão por concorrência, que o texto não indica.
  • DAs jacqueries foram revoltas camponesas contra a exploração senhorial; não nasceram do castigo corporal a escravas domésticas.

Assunto: Baixa Idade Média: Cruzadas, renascimento comercial e crise do século XIV.

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Ver como caiu na prova Questão 59 no caderno Q da UNICAMP 2016

Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗