PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 49 da UNICAMP 2015
Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria
Estado violência
Estado hipocrisia
A lei que não é minha
A lei que eu não queria
(“Estado Violência”, Charles Gavin, em Titãs, Cabeça Dinossauro, WEA, 1989.)
A letra dessa música, gravada pelos Titãs,
- Acritica a noção de Estado e sua ausência de controle, aspectos comuns ao liberalismo e ao marxismo.
- Bconstata que o corpo físico e o corpo político se relacionam em sociedades de controle.
- Ccritica o autoritarismo policial e o modelo de regulação proposto pelo anarquismo.
- Dconstata que o Estado autoritário, mesmo com boas leis, é sabotado pela figura do policial.
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Resolução comentada
A letra fala de uma lei imposta de fora ("a lei ao meu redor", "a lei que não é minha", "a lei que eu não queria"). Essa lei é sentida no corpo, como dor e angústia: "sinto no meu corpo a dor que angustia". O Estado é chamado de "violência" e "hipocrisia".
O tema é o poder do Estado exercido sobre o corpo do indivíduo. A música foi gravada em 1989, logo depois da ditadura militar, e trata de controle e repressão. É a ideia de que o poder político atua diretamente sobre o corpo, ligando o corpo físico ao corpo político. Essa ideia lembra a noção de sociedades de controle e de disciplina, que vem de Foucault.
Alternativa por alternativa:
- A: a letra não fala de "ausência de controle". Ao contrário, o problema é o excesso de lei e de controle. Liberalismo e marxismo também não têm a mesma visão de Estado.
- C: a letra não cita a polícia nem o anarquismo, e não propõe nenhum modelo de regulação.
- D: a letra rejeita a lei em si ("a lei que eu não queria"), e não diz que haveria "boas leis" sabotadas por policiais.
- B: bate com o texto, porque a dor no corpo vem da lei do Estado.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AA letra critica o excesso de controle estatal, não a sua ausência, e liberalismo e marxismo não compartilham a mesma noção de Estado.
- CA música não menciona a polícia nem o anarquismo, e não propõe modelo de regulação.
- DA letra rejeita a lei imposta em si, sem falar em boas leis sabotadas por policiais.
Assunto: Foucault: poder disciplinar e biopoder.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2015. Prova oficial ↗