PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 34 da UNICAMP 2012
TEXTO PARA AS QUESTÕES 34 E 35 · Q
“O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais escravo do que eles. (...) A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. (...) Haverá sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos possam ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum considerando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não existe bem público, nem corpo político.”
(Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social. [1762]. São Paulo: Ed. Abril, 1973, p. 28,36.)
No trecho apresentado, o autor
- Aargumenta que um corpo político existe quando os homens encontram-se associados em estado de igualdade política.
- Breconhece os direitos sagrados como base para os direitos políticos e sociais.
- Cdefende a necessidade de os homens se unirem em agregações, em busca de seus direitos políticos.
- Ddenuncia a prática da escravidão nas Américas, que obrigava multidões de homens a se submeterem a um único senhor.
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Resolução comentada
O trecho é de Rousseau, filósofo contratualista. Para ele, a legitimidade política não nasce da força, e sim de um pacto entre iguais, o contrato social.
O que o autor diz, passo a passo:
- "O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros": a liberdade é natural, mas a sociedade a acorrenta.
- Subjugar uma multidão é diferente de reger uma sociedade. Muitos homens submetidos a um só formam apenas "um senhor e escravos", não "um povo e seu chefe".
- Esse conjunto é uma "agregação", não uma "associação". Nele "não existe bem público, nem corpo político".
Portanto, só há corpo político quando existe associação, isto é, união voluntária de homens que se reconhecem como parte do povo, com igualdade política, em vez da relação senhor-escravo. Isso corresponde à alternativa A.
Conferindo as demais: Rousseau chama a ordem social de "direito sagrado" que serve de base aos outros direitos, e não o contrário. Ele também rejeita a agregação como forma legítima de sociedade. E o texto usa escravidão como metáfora da dominação política, sem tratar das Américas.
Alternativa A.
Pegadinha: A alternativa C engana ao reaproveitar a palavra "agregações", que Rousseau contrapõe à associação legítima.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Binverte a ideia do texto: o direito sagrado é a ordem social, que serve de base aos outros direitos, e não os direitos sagrados é que fundam os direitos políticos e sociais.
- Co autor critica a mera agregação, que não forma corpo político nem bem público; defende a associação.
- Da escravidão aparece como metáfora da submissão política, sem referência às Américas ou à escravidão colonial.
Assunto: Contratualismo: Hobbes, Locke e Rousseau.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2012. Prova oficial ↗