PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 17 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2025

2º dia · Geografia · Geografia: Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais

Perímetro do Parque Indígena do Xingu (Mato Grosso). Quatro mapas comparativos dos anos de 1985, 1995, 2005 e 2022 mostram a evolução do uso do solo: em verde, a cobertura vegetal natural; em amarelo, os usos antropizados; delimitado por linha vermelha, o perímetro do Parque Indígena do Xingu. Ao longo dos anos, nota-se o avanço contínuo das áreas antropizadas ao redor da demarcação, enquanto o interior da reserva permanece preservado com cobertura vegetal natural.

Disponível em https://plataforma.brasil.mapbiomas.org. Acesso em 25/09/2024.

A figura acima destaca a Terra Indígena do Xingu (TIX), no leste do estado do Mato Grosso, e os usos de seu entorno entre os anos de 1985 e 2022. Criada em 1961, a TIX foi pioneira na política de demarcação de terras indígenas no Brasil. Todavia, outras demarcações estão ainda por ser feitas, evidenciando que esta é uma questão ainda não solucionada na sociedade brasileira, haja vista o debate sobre o Marco Temporal nas esferas de poder da República brasileira.

a) Explique, com base na interpretação das imagens, as principais transformações no uso e ocupação das terras no intervalo de 1985 a 2022. Indique dois elementos que explicam a relevância da demarcação da TIX para a preservação socioambiental.

b) No que diz respeito ao debate sobre o Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas, quais os argumentos que entram em conflito? Aponte duas atribuições do poder executivo para a manutenção dos direitos constitucionais da população indígena.

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Resolução comentada

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a) Comparando os quatro mapas, em 1985 o entorno do Parque Indígena do Xingu era quase todo verde, com poucas manchas amarelas isoladas, mais ao nordeste e ao sul. Em 1995 e 2005 as áreas antropizadas crescem e se conectam, e em 2022 formam um mosaico amarelo quase contínuo em volta do perímetro, sobretudo a leste, ao sul e a oeste. Isso mostra a expansão da fronteira agropecuária (soja, milho e pastagens para pecuária) sobre a vegetação nativa de transição entre Cerrado e Amazônia, com desmatamento. Dentro da linha vermelha a cobertura natural permanece praticamente intacta, e o parque aparece como uma "ilha" verde.

Dois elementos explicam a relevância da demarcação:

  1. Proteção da biodiversidade e dos recursos naturais: o território funciona como barreira ao desmatamento, preservando vegetação, nascentes e rios (formadores do Xingu), a fauna e o regime hídrico e climático regional.
  2. Garantia dos modos de vida, da cultura e dos territórios dos povos indígenas (mais de 16 etnias), cujo manejo tradicional conserva a floresta, além de assegurar direitos territoriais e reduzir conflitos fundiários.

Resposta: houve expansão contínua das áreas antropizadas (agropecuária) no entorno entre 1985 e 2022, com o interior do parque preservado; a demarcação protege a biodiversidade/recursos hídricos e garante a cultura e o território dos povos indígenas.

b) O Marco Temporal sustenta que só podem ser demarcadas as terras que estivessem ocupadas pelos povos indígenas, ou em disputa comprovada, em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Esse é o argumento de ruralistas e de setores que defendem segurança jurídica para proprietários e produtores.

O argumento contrário, de povos indígenas, entidades de defesa e parte do STF, é que o direito indígena à terra é originário, anterior ao próprio Estado, e a Constituição (art. 231) apenas o reconhece. Muitos povos foram expulsos antes de 1988 e não poderiam estar na terra naquela data, e o marco temporal ignoraria essas violências históricas.

Atribuições do poder executivo, por meio da FUNAI e do Ministério dos Povos Indígenas:

  1. Conduzir o processo administrativo de identificação, delimitação, demarcação e homologação (esta última pelo presidente) das terras indígenas.
  2. Fiscalizar e proteger essas terras contra invasões, garimpo, desmatamento e grilagem, além de garantir políticas de saúde e educação diferenciadas aos povos indígenas.

Resposta: o conflito opõe a tese de que só vale a ocupação em 5/10/1988 (segurança jurídica a produtores) ao direito originário dos indígenas à terra; o executivo deve conduzir e homologar as demarcações e fiscalizar e proteger os territórios, garantindo políticas específicas.

Assuntos: Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, Fronteira agrícola e expansão do agronegócio.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2025. Prova oficial ↗