PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 17 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2023

2º dia · História · História: Escravidão africana e tráfico negreiro

Mapa do oceano Atlântico com os circuitos de difusão do arroz africano da região de plantio de arroz na África ocidental para as Américas. Estão identificados América do Norte, Carolina do Sul, Golfo do México, El Salvador, Mar do Caribe, Guiana Inglesa e Suriname, Caiena, América do Sul, Brasil, Cabo Verde e Oceano Atlântico. Setas vermelhas seguem da África ocidental para Cabo Verde, Caribe, El Salvador e Caiena; setas amarelas seguem para a América do Norte, a região das Guianas e o Brasil. A região de plantio na África ocidental e uma extensa faixa da América do Sul estão preenchidas em amarelo e contornadas. A legenda distingue setas vermelhas, “O. glaberrima encontrado em coleções botânicas”, e amarelas, “Evidências de O. glaberrima em relatos botânicos”. Há uma indicação do norte no canto inferior direito.

A história ambiental examina tanto a interação humana com o mundo natural ao longo do tempo quanto as formas como as pessoas moldam o meio ambiente e são moldadas por ele. As paisagens são profundamente moldadas pela cultura, migração humana, relações de poder e redes imperiais. Estudos ambientais das antigas sociedades de plantation têm incentivado uma perspectiva atlântica transnacional.

(Referência do mapa e do excerto: CARNEY, J. A.; WATKINS, C. Arroz, protagonismo africano e a transformação ecológica das Américas. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 16(2), 2021, p. 12. / Adaptado de: CAÑIZARES-ESGUERRA, J.; BREEN, B. Hybrid atlantics: future directions for the history of the Atlantic World. History Compass, 11(8), 2013, p. 597-609.)

a) O mapa sintetiza os circuitos de difusão do arroz africano (o. glaberrima) nas Américas desde a segunda metade do século XVII. Cite e analise um aspecto da difusão do arroz nas Américas que evidencie a relação entre o trânsito de pessoas e seu impacto na transformação ecológica do Novo Mundo.

b) Identifique o continente de origem do milho e, com base no excerto, analise um elemento do processo de transmissão dos saberes em torno de sua cultura nas Américas do período colonial.

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Resolução comentada

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a) O mapa mostra setas partindo da África ocidental, região tradicional de cultivo do arroz (O. glaberrima), rumo à Carolina do Sul, ao Caribe, às Guianas e ao Brasil. Esses são os principais destinos do tráfico atlântico de escravizados.

O arroz africano chegou às Américas junto com as pessoas escravizadas. Muitas delas vinham de sociedades rizicultoras e dominavam o plantio, o manejo da água, o beneficiamento e a seleção das sementes. Esse saber foi aplicado nas plantations, como as da Carolina do Sul e das Guianas. Ali, áreas alagadiças foram transformadas em arrozais, o que mudou a paisagem, a vegetação e o uso do solo e da água. Também foram introduzidas novas variedades vegetais e novos hábitos alimentares.

A transformação ecológica do Novo Mundo, portanto, dependeu do trânsito forçado de pessoas e do protagonismo técnico dos africanos, e não apenas da iniciativa dos colonizadores europeus.

Resposta: a difusão do arroz seguiu as rotas do tráfico atlântico, e os africanos escravizados trouxeram o conhecimento do cultivo, que alterou paisagens e ecossistemas coloniais, como os arrozais da Carolina do Sul e das Guianas.

b) O milho é originário da América, mais precisamente da Mesoamérica (região do atual México).

O excerto fala em cultura, migração humana, relações de poder e redes imperiais, que moldam as paisagens, e em uma perspectiva atlântica transnacional. Os saberes sobre o milho foram transmitidos nesse contexto, entre povos indígenas, africanos escravizados e colonizadores europeus.

Um elemento é a circulação dos saberes pelas redes imperiais e pela migração forçada. Os povos indígenas dominavam o cultivo, a seleção de sementes e o preparo do milho. Esse conhecimento foi apropriado pelos colonizadores e passou aos africanos escravizados, que plantavam e consumiam o milho nas plantations e nas roças de subsistência. Esses grupos o combinaram com seus próprios saberes agrícolas. Houve assim uma troca híbrida, desigual e marcada por relações de poder, em que o conhecimento indígena era usado pela exploração colonial.

Resposta: o milho é de origem americana (Mesoamérica); seus saberes foram transmitidos pelo contato entre indígenas, africanos e europeus, em redes coloniais marcadas por migração e relações de poder.

Assuntos: Escravidão africana e tráfico negreiro, Economia açucareira e sociedade colonial.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2023. Prova oficial ↗