Questão 16 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2023
Quando os europeus começaram a ocupar o atual território brasileiro, ao longo do século XVI, encontraram dois grandes complexos de florestas tropicais: a Mata Atlântica e a floresta amazônica. O destino diverso desses dois complexos florestais é um dado muito significativo para o entendimento da história. Ao contrário da Mata Atlântica, a floresta amazônica manteve-se praticamente intacta até poucas décadas atrás. No início da década de 1970, apesar dos séculos de exploração econômica no contexto da moderna economia-mundo, apenas 1% da sua cobertura original havia sido destruída.
(Adaptado de PÁDUA, J. A. Biosfera, história e conjuntura na análise da questão amazônica. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, vol. 6 (suplemento), p. 793-811, 2000.)
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos,
a) cite e explique duas razões para a destruição da Mata Atlântica entre os séculos XVI e XIX.
b) identifique e explique uma mudança no contexto nacional e outra no quadro internacional que podem ser analisadas como impulsionadoras da destruição da floresta amazônica entre os anos de 1970 e 2000.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A Mata Atlântica ocupava a faixa litorânea, justamente onde se concentrou a colonização portuguesa, e foi destruída por atividades econômicas ligadas à economia colonial e imperial. Duas razões:
- Extração do pau-brasil: no século XVI, a madeira, usada como corante e na marcenaria, foi explorada de forma predatória, com derrubada de grandes áreas de mata, de início por meio do trabalho indígena (escambo) e voltada ao mercado europeu.
- Agricultura de exportação: o ciclo da cana-de-açúcar (séculos XVI-XVII, no Nordeste) e, depois, o café (século XIX, no Vale do Paraíba e no Oeste Paulista) exigiram a derrubada da mata para abrir plantações em grandes propriedades escravistas. A lenha também alimentava os engenhos. Além disso, a mineração (século XVIII) e o crescimento das cidades e da pecuária ampliaram o desmatamento.
Resposta: pau-brasil (extração predatória) e expansão da agricultura de exportação, como cana-de-açúcar e café, que desmatavam para abrir plantações.
b) A partir dos anos 1970, a Amazônia deixou de ser pouco alterada porque mudaram os projetos para a região, no Brasil e no mundo.
- Contexto nacional: a ditadura militar adotou uma política de integração e ocupação da Amazônia, sob o lema de "integrar para não entregar". Construíram-se rodovias (Transamazônica, Belém-Brasília), concederam-se incentivos fiscais pela SUDAM a projetos agropecuários e promoveram-se colonização e migração. Isso abriu a floresta à pecuária extensiva, ao desmatamento, à grilagem e à mineração.
- Contexto internacional: o aumento da demanda mundial por commodities (carne, soja, madeira, minérios) e a globalização econômica a partir dos anos 1980 e 1990, com a inserção do Brasil como grande exportador agrícola e mineral, além do capital estrangeiro investido em grandes projetos (como Carajás), pressionaram a floresta para expandir a fronteira agropecuária e extrativa.
Resposta: no plano nacional, a política desenvolvimentista da ditadura (rodovias, incentivos e colonização) integrou a Amazônia; no plano internacional, a crescente demanda global por commodities e a globalização econômica estimularam a expansão agropecuária e mineradora na floresta.
Assuntos: desmatamento no brasil, mata atlântica, ocupação da amazônia.
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