PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 7 (1º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2022

1º dia · Português

Em julho de 2021, a atriz e youtuber Antônia Fontenelle fez um comentário sobre o DJ Ivis, preso por agredir sua ex-mulher, Pamella Holanda. Ao se posicionar contra as agressões, Fontenelle disse:

Comentário em rede social atribuído a Antônia Fontenelle com o texto: "FAZEM UM POUQUINHO DE SUCESSO E ACHAM QUE PODE TUDO. AMANHÃ VOU CONTACTAR AS AUTORIDADES DO CEARÁ PRA ENTENDER PORQUE ESSE CRETINO NÃO FOI PRESO", com indicações de "4 h", "2050 curtidas" e "Responder".

Criticada por celebridades da Paraíba, como o cantor Chico César e a ex-BBB Juliette, pelo uso da expressão preconceituosa “esses paraíbas”, Fontenelle tentou se explicar, afirmando, em outro tweet, se tratar de uma força de expressão: “Paraíba eu me refiro a quem faz paraibada, pode ser ele sulista, pode ser ele nordestino, pode ser ele o que for”. Em seguida, recebeu novas críticas:

Duas postagens em rede social. À esquerda, Chico César (@oficialchicocesar) publica: "escute aqui moça: PARAIBADA não é força de expressão. 'PARAÍBA' é que é expressão de FORÇA". À direita, Juliette (@juliette) publica: "Não é força de expressão, é xenofobia. Não existe 'ser Paraíba' e 'fazer paraibada'. Existe ser PARAIBANA/O, o que sou com muito orgulho. Tire seu preconceito do caminho, que vamos passar com a nossa cultura e não vamos tolerar atitudes machistas e xenofóbicas de lugar algum." Datado de 17:09 · 12/07/2021 · Twitter for Android.

a) Por que a explicação de Fontenelle continuou sendo preconceituosa? Reescreva a primeira frase do primeiro tweet, desfazendo o preconceito enunciado por ela.

b) Explique o jogo de palavras no tweet de Chico César a partir do tweet de Juliette. Em seguida, explique a característica atribuída ao termo “paraíba” pelo artista.

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Resolução comentada

Resolução comentada

a) Fontenelle diz que "paraíba" designa quem "faz paraibada", seja sulista, nordestino ou outro. Mas a expressão continua preconceituosa porque usa o gentílico/regionalismo ("paraíba", em geral aplicado a nordestinos) como sinônimo de comportamento negativo: grosseria, violência, falta de educação. Ela associa o povo de uma região a algo ruim. Dizer que "pode ser de qualquer lugar" não desfaz isso, pois a palavra só funciona como ofensa porque carrega o estereótipo de que o nordestino (o paraibano) é violento ou atrasado. É um preconceito regional, ou seja, xenofobia.

Para desfazer o preconceito, basta tirar a origem geográfica da ofensa e criticar a atitude ou a pessoa:

"Fazem um pouquinho de sucesso e acham que podem tudo" pode virar, por exemplo: "Esses agressores fazem um pouquinho de sucesso e acham que podem tudo."

b) O jogo de palavras parte do uso de "força de expressão". Fontenelle a usou no sentido de "exagero, modo de falar", para dizer que não quis ofender. Juliette rejeita isso: para ela, não existe "ser Paraíba" nem "fazer paraibada", só "ser paraibana/o", que é o gentílico, motivo de orgulho. Chico César retoma a expressão e inverte seus termos: "paraibada" não é força de expressão (não é mero exagero de linguagem, é xenofobia), mas "Paraíba" é que é "expressão de força", isto é, manifestação de força.

A característica atribuída ao termo, portanto, é a de força: o artista afirma que a Paraíba, seu povo e sua cultura representam resistência, coragem e vigor, e não o sentido pejorativo dado por Fontenelle. Paraíba é expressão de força, e não de agressividade ou grosseria.

Assuntos: xenofobia e preconceito linguístico, jogo de palavras, interpretação de texto.

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2022. Prova oficial ↗