Questão 19 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2022
Tem sido frequente a invasão da Terra Indígena Yanomami para extração mineral ilegal. Valendo-se de técnicas industriais, a mineração acarreta grande impacto ambiental e coloca em risco a vida de aproximadamente 20.000 yanomamis que aí vivem. Ao final de 2020, somavam-se 2.400 hectares de área degradada. Desse total, 500 hectares foram registrados entre janeiro e dezembro de 2020. Tudo isso ocorrendo em plena pandemia da Covid-19, fazendo da mineração, portanto, um vetor de disseminação do vírus entre a comunidade indígena.
(Adaptado de HUTUKARA Associação Yanomami, ASSOCIAÇÃO Wanasseduume Ye’kwana, Cicatrizes na Floresta. Evolução do garimpo ilegal na TI Yanomami em 2020. sd. sl.)
a) Indique em quais unidades da federação se localiza a Terra Indígena Yanomami. Aponte duas características do modo de vida da sociedade Yanomami as quais entram em conflito com a expansão da fronteira econômica no Brasil.
b) Indique o minério que vem sendo extraído de modo ilegal na Terra Yanomami e sua forma de exploração. Quais os impactos dessa exploração para os ecossistemas locais?
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A Terra Indígena Yanomami é a maior terra indígena do Brasil e fica no extremo norte do país, na fronteira com a Venezuela. Ocupa áreas dos estados de Roraima e do Amazonas.\n\nO modo de vida yanomami entra em conflito com a expansão da fronteira econômica (garimpo, pecuária, madeira, agronegócio) em pelo menos dois pontos:\n\n1. Relação com a terra e a floresta: para os yanomami, o território é espaço de moradia, caça, pesca, coleta e roças de subsistência, com valor cultural e espiritual. Não é mercadoria nem recurso a ser explorado. Já a fronteira econômica trata a terra como propriedade e fonte de lucro.\n2. Economia de subsistência e uso coletivo do território: a agricultura itinerante (roças de coivara), a caça e a coleta dependem de grandes áreas preservadas e da vida em comunidades (malocas) que compartilham os recursos. Isso é incompatível com o desmatamento, a contaminação dos rios e a privatização do espaço.\n\nOutra resposta aceitável: a mobilidade territorial e a autonomia sociocultural, ameaçadas pela presença de não indígenas e pelas doenças que eles trazem.\n\nRoraima e Amazonas; conflito com a lógica de mercantilização da terra e com a subsistência baseada na floresta e no uso coletivo do território.\n\nb) O minério extraído ilegalmente é o ouro, junto com a cassiterita. A forma de exploração é o garimpo, com técnicas industriais: escavadeiras, balsas e dragas nos rios, desmonte hidráulico das margens e uso de mercúrio para separar o ouro dos sedimentos.\n\nOs impactos nos ecossistemas locais são:\n\n- Desmatamento e degradação do solo, com a abertura de clareiras e pistas de pouso, o que fragmenta habitats e afasta a fauna.\n- Assoreamento e turbidez dos rios, que prejudicam peixes e outros organismos aquáticos.\n- Contaminação por mercúrio da água, dos peixes e da cadeia alimentar. Isso intoxica as populações que dependem da pesca e provoca danos neurológicos.\n- Alteração dos cursos d'água e formação de poças que favorecem a malária.\n\nNo total, esses efeitos reduzem a biodiversidade e comprometem a segurança alimentar dos yanomami.\n\nOuro (e cassiterita), por garimpo mecanizado em leitos e margens de rios com mercúrio; impactos: desmatamento, assoreamento, contaminação por mercúrio e perda de biodiversidade.
Assuntos: terras indígenas, garimpo e mineração na Amazônia, fronteira econômica.
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