Questão 1 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2022
Na virada do século XIX para o XX, o Modernismo se constrói com base em um conjunto de ideias que vinha transformando a cultura e a sensibilidade europeias. Predominava o imaginário de ruptura e de libertação do passado, visto como um fardo a ser abandonado. Essa percepção do modernismo como urgência de uma demanda de tornar-se novo foi particularmente experimentada no Brasil.
Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna assumiu o papel de acontecimento fundador do moderno Brasileiro. Desde o início do século XX, porém, movimentos culturais relacionados ao advento de uma sensibilidade modernista vinham acontecendo em diversas cidades brasileiras. Ocorre que as dinâmicas e os ritmos culturais desses lugares não necessariamente condiziam com o perfil urbano e industrial-tecnológico de São Paulo. A coexistência do arcaico e do moderno, marcando distintas temporalidades, era uma realidade na vida cultural brasileira. (...) Assim, criar o “novo” significava construir vínculos de pertencimento com o repertório das tradições populares. O novo jamais é inteiramente novo.
(Adaptado de M. Velloso, História e Modernismo. Belo Horizonte: Autêntica, 2010, pp. 20, 21, 28.)

a) As interpretações sobre o modernismo enquanto movimento cultural e artístico não raro se concentram em pares de conceitos polarizados como tradicional/moderno ou local/internacional. Identifique, para cada conceito indicado na tabela (que aparece no espaço da resposta), um elemento presente na imagem. Não repita elementos nas células.
b) A obra de Ismael Nery é representativa do modernismo no Brasil. Com base na leitura do texto e na análise da imagem, identifique e analise a distinção entre o modernismo na Europa e no Brasil.
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Resolução comentada
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a) A tabela não aparece no enunciado, então uso os pares citados (tradicional/moderno e local/internacional) e escolho um elemento distinto da imagem para cada conceito.
- Tradicional: as casas de telhado de cerâmica e a palmeira, à esquerda, ao lado da mulher popular em primeiro plano, remetem à vida cotidiana e às tradições brasileiras. Também serve a paisagem litorânea, com o morro ao fundo, que lembra o Rio de Janeiro colonial.
- Moderno: a linguagem formal da própria tela, com figura estilizada, formas geométricas e sobreposição de rostos de perfil. Também serve o prédio de vários andares, à direita.
- Local: a paisagem tropical, com a palmeira, o mar e o morro, e a mulher popular de vestido simples.
- Internacional: a torre metálica à direita, que lembra a Torre Eiffel e Paris, centro cultural da vanguarda europeia.
Cada conceito recebe um elemento diferente, sem repetição entre as células. Por exemplo: a palmeira (local), a Torre Eiffel (internacional), as casas coloniais (tradicional) e os rostos sobrepostos estilizados (moderno).
Resposta: tradicional = casas coloniais; moderno = rostos sobrepostos e estilizados; local = palmeira e paisagem tropical; internacional = torre parecida com a Eiffel.
b) Na Europa, o modernismo se baseou na ruptura e na libertação do passado, visto como um fardo, e na urgência de "tornar-se novo". Seu cenário era urbano, industrial e tecnológico.
No Brasil, o texto mostra que o moderno convive com o arcaico, em temporalidades distintas. Os ritmos culturais variavam de cidade para cidade e nem sempre seguiam o perfil de São Paulo. Criar o "novo" exigia vínculos com as tradições populares, pois "o novo jamais é inteiramente novo".
A tela de Ismael Nery mostra isso. A linguagem de vanguarda, com figuras estilizadas e rostos sobrepostos, e a torre de Paris, referência internacional, aparecem junto de elementos locais e tradicionais: casas coloniais, palmeira, mar e mulher popular. O passado e a tradição não são abandonados, e sim incorporados e combinados com as influências europeias.
Resposta: o modernismo europeu priorizou a ruptura com o passado, enquanto o brasileiro combinou o novo e as influências externas com o arcaico e as tradições populares locais.
Assuntos: modernismo brasileiro, semana de arte moderna, análise de imagem.
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