PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 1 (1º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2018

1º dia · Português · Português: Formação de palavras e neologismos

Enquanto viveu em Portugal, o escritor Mário Prata reuniu centenas de vocábulos e expressões usados no português falado na Europa que são diferentes dos termos correspondentes usados no português do Brasil. Reproduzimos abaixo um dos verbetes de seu dicionário.

Descapotável
É outra palavra que em português faz muito mais sentido do que em brasileiro. Não é mais claro dizer que um carro é descapotável, do que conversível?

(Mário Prata, Dicionário de português: schifaizfavoire. São Paulo: Editora Globo, 1993, p. 48.)

a) Identifique os dois afixos que formam a palavra “descapotável” a partir do substantivo “capota” (cobertura de um automóvel) e explique a função de cada um.

b) Explique por que o autor considera, com certo humor, que a palavra "descapotável” do português europeu faz mais sentido de que o termo “conversível”, usado no português brasileiro.

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a) A palavra é formada por derivação a partir de "capota": des-capot-ável. O radical é "capot-" (capota; a vogal temática final cai).

O primeiro afixo é o prefixo des-, que dá ideia de negação, de ação contrária ou de privação. Com ele, "capota" passa à ideia de "tirar a capota" (descapotar).

O segundo afixo é o sufixo -ável, que forma adjetivos a partir de verbos e indica possibilidade, capacidade de sofrer a ação (como em "lavável", "comestível"). Assim, "descapotável" é aquilo que pode ser descapotado, isto é, que pode ter a capota retirada.

Prefixo des- (negação/retirada) e sufixo -ável (possibilidade de sofrer a ação): carro que pode ficar sem capota.

b) O autor acha "descapotável" mais claro porque a palavra é transparente: sua formação mostra diretamente a característica do carro, que é poder ficar sem capota. Quem conhece "capota" entende o sentido só de analisar a palavra.

"Conversível", por sua vez, vem de "converter" (transformar-se em outra coisa), e o termo não diz em que o carro se converte nem o que tem de especial. Para entender, é preciso já conhecer o objeto. A palavra é vaga e genérica: qualquer coisa que se transforme seria "conversível" (um sofá-cama, por exemplo).

O humor está nesse tom de implicância: o autor, falando como se fosse óbvio ("Não é mais claro...?"), brinca com a lógica da palavra portuguesa e com o que parece pouco lógico no termo brasileiro, sem que isso tenha rigor linguístico, já que ambas funcionam bem para os falantes.

"Descapotável" revela em sua formação a característica do carro (sem capota), enquanto "conversível" é vago, pois não diz no que o carro se converte.

Assuntos: Formação de palavras e neologismos, Variedades linguísticas (regional, social e situacional).

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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2018. Prova oficial ↗