Questão 5 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2017

3º dia · Geografia

Imagem de um antigo palacete na Vila Itororó, em São Paulo-SP, que se tornou um cortiço.

Fotografia em preto e branco de um casarão histórico em estado de degradação na Vila Itororó, com colunatas de sustentação, passarelas improvisadas e roupas estendidas.

a) O que define os cortiços? Em que momento da urbanização brasileira eles surgiram?

b) Aponte ao menos dois fatores que explicam a permanência dos cortiços nas grandes cidades brasileiras ainda hoje.

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a) Cortiço é uma forma de moradia coletiva e precária, em geral um casarão ou conjunto de cômodos em área central, subdividido em vários quartos alugados a famílias diferentes. Os moradores dividem banheiros, tanque e cozinha. Há superlotação, pouca ventilação e insalubridade, como mostra a foto: um antigo palacete degradado, com passarelas improvisadas e roupas penduradas. Os cortiços surgiram na fase inicial de urbanização e industrialização, no final do século XIX e início do século XX. Esse período coincide com a abolição da escravidão (1888), a chegada de imigrantes europeus e a migração de ex-escravizados e trabalhadores rurais para as cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. A demanda por habitação barata perto dos locais de trabalho cresceu muito, e os proprietários passaram a lucrar alugando cômodos. Os cortiços eram a solução possível para a população pobre, porque não havia política habitacional. Os cortiços são moradias coletivas, precárias e superlotadas, em casarões e áreas centrais, e surgiram no fim do século XIX e início do XX, com a industrialização, a imigração e o fim da escravidão.

b) Dois fatores explicam a permanência dos cortiços:

  1. Déficit habitacional e baixa renda. Muitos trabalhadores não conseguem pagar aluguéis ou financiamentos formais, e a oferta de habitação popular é insuficiente. O cortiço é a alternativa mais barata.
  2. Valor da localização central. As áreas centrais têm emprego, transporte e serviços. Morar nelas reduz o tempo e o custo de deslocamento, em comparação com as periferias distantes. Por isso, as pessoas aceitam condições precárias para ficar perto desses benefícios.

Somam-se a isso a existência de imóveis antigos e degradados, subdivididos por proprietários que lucram com aluguéis altos por metro quadrado. Também contam a informalidade dos contratos, que deixa o morador vulnerável, e a falta de políticas públicas de reabilitação de imóveis centrais e de moradia social. Permanecem pela insuficiência de moradia acessível aos pobres, associada à renda baixa, e pela vantagem de localização central, com a exploração lucrativa dos imóveis degradados.

Assuntos: cortiços, urbanização brasileira, moradia urbana.

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