Questão 18 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2016

3º dia · Biologia

Muitas vezes se observa o efeito do vento nas plantas, que faz com que a copa das árvores e eventualmente o caule balancem vigorosamente sem, contudo, se romper. No entanto, quando ocorre a ruptura de um ramo, as plantas têm a capacidade de retomar o crescimento e ocupar novamente o espaço deixado pela queda do ramo.

a) Cite e caracterize os tipos de tecidos que promovem a sustentação e a flexibilidade dos ramos e caules.

b) Como se dão o surgimento e o crescimento do novo ramo em plantas danificadas pelo vento?

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Resolução comentada

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a) Os tecidos de sustentação das plantas são o colênquima e o esclerênquima.

  • Colênquima: formado por células vivas, alongadas, com paredes primárias espessadas de modo irregular (celulose e pectina). Dá sustentação a órgãos jovens, em crescimento, e é flexível e plástico, pois suas paredes se deformam sem romper. Por isso permite que ramos, pecíolos e caules jovens balancem com o vento sem quebrar.
  • Esclerênquima: formado por células mortas na maturidade, com paredes secundárias espessas e impregnadas de lignina. É rígido e resistente. Há dois tipos de células: as fibras, longas e flexíveis, que dão resistência à tração e à flexão, e os esclereídes, curtos, que dão dureza. Atua em órgãos que já terminaram o alongamento.

O colênquima dá flexibilidade, e o esclerênquima (sobretudo as fibras) dá resistência. Os dois juntos permitem que o ramo se curve sem se romper.

Resposta final: colênquima (células vivas, parede primária espessada, flexível, sustenta órgãos jovens) e esclerênquima (células mortas, parede secundária lignificada, rígido e resistente, com fibras e esclereídes).

b) Após a ruptura, o novo ramo surge a partir de gemas laterais (axilares) que estavam dormentes, ou de regiões com tecido meristemático.

Na planta intacta, a gema apical produz auxina, que desce pelo caule e inibe as gemas laterais. Esse fenômeno é a dominância apical. Quando o ramo se rompe, a fonte de auxina é perdida, e a inibição das gemas laterais próximas acaba. Elas se ativam, e suas células meristemáticas se dividem por mitose.

As citocininas, produzidas nas raízes, estimulam essas divisões e o desenvolvimento da gema. O meristema apical do novo ramo forma folhas e tecidos, e o crescimento em comprimento ocorre por divisão e alongamento celular. Assim o espaço do ramo perdido é ocupado de novo. Também pode haver desdiferenciação de células próximas da lesão, que formam calo cicatrizante.

Resposta final: o novo ramo surge de gemas laterais dormentes, liberadas da dominância apical pela perda da gema apical (menos auxina), com ação de citocininas; seus meristemas se dividem por mitose e as células se alongam, formando o novo ramo.

Assuntos: tecidos de sustentação vegetal, dominância apical, meristemas.

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