Questão 18 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2015

(http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/11/1365447-as-cedulas-de-cildo-meireles-e-outras-8-indicacoes-culturais.shtml)
As duas imagens fazem parte de um trabalho do artista plástico Cildo Meireles, intitulado “Inserções em Circuitos Ideológicos - Projeto Cédula (1970-2013)”.
a) Como as inscrições produzidas pelo artista se relacionam aos momentos históricos a que as obras se referem?
b) Cite e explique a principal diferença, do ponto de vista da divulgação das obras, entre os anos 1970 e 2013.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) As inscrições denunciam crimes cometidos por agentes do Estado em dois momentos distintos. "Quem matou Herzog?" remete à ditadura militar: o jornalista Vladimir Herzog foi preso, torturado e morto em 1975 nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo. A versão oficial foi de suicídio, e a pergunta questiona essa mentira e cobra a responsabilização dos culpados. "Cadê Amarildo?" refere-se a 2013, já em plena democracia: o pedreiro Amarildo de Souza, morador da Rocinha, no Rio de Janeiro, desapareceu após ser levado por policiais militares da UPP. O caso foi um símbolo das manifestações de 2013 contra a violência policial. Assim, a obra liga os dois momentos. Em ambos, a violência do Estado contra cidadãos e a busca por respostas aparecem em perguntas feitas sobre as cédulas. A comparação sugere que práticas autoritárias, como tortura, morte e desaparecimento, persistem mesmo após o fim da ditadura. A cédula de cruzeiro marca a época do regime militar, e a de real marca o presente. As inscrições denunciam a violência do Estado, na ditadura (caso Herzog, 1975) e na democracia (caso Amarildo, 2013), e questionam a impunidade.
b) A principal diferença está nos meios de circulação. Nos anos 1970, sob a ditadura, havia censura aos meios de comunicação (jornais, rádio, TV) e repressão a manifestações críticas. Por isso o artista usou as cédulas, que circulam de mão em mão, como canal alternativo e clandestino de divulgação, sem passar pelo controle do Estado. A mensagem se espalhava lentamente e de forma limitada, dependendo da circulação do dinheiro. Em 2013, com liberdade de expressão e a internet e as redes sociais, a difusão é muito mais rápida, ampla e instantânea. As imagens das obras são compartilhadas por milhares de pessoas, e a campanha "Cadê o Amarildo?" se espalhou nas manifestações e nas redes. Nos anos 1970 a divulgação era clandestina, lenta e limitada, pela circulação do dinheiro, por causa da censura; em 2013 ela é ampla e imediata, pela internet e redes sociais, num contexto de liberdade de expressão.
Assuntos: ditadura militar, violência do Estado, censura e meios de comunicação.
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