Questão 16 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2015
Com a partida de D. João VI, permaneceu como regente do reino do Brasil o príncipe herdeiro. Contrário à ideia de submissão do monarca a uma assembleia, que ele considerava despótica, mas incapaz de deter o rumo dos acontecimentos, D. Pedro habilmente se aproximou de uma facção da elite brasileira, a dos luso-brasileiros.
(Adaptado de Guilherme Pereira das Neves, “Del Imperio lusobrasileño al imperio del Brasil (1789-1822)”, em François-Xavier Guerra (org.), Inventando la nación. México: FCE, 2003, p. 249.)
Considerando os processos de independência no continente americano,
a) apresente duas diferenças importantes entre o processo de independência no mundo colonial espanhol e o processo de independência do Brasil.
b) explique a importância dos luso-brasileiros no governo de D. Pedro I e por que eles foram a causa de diversos conflitos no período.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Há duas diferenças centrais.
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Unidade territorial e forma de governo. Na América espanhola, a independência (década de 1810 a 1820) foi conduzida por elites crioulas, em geral contra a metrópole, e levou à fragmentação do antigo império em várias repúblicas (Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México etc.), apesar do projeto bolivariano de união. No Brasil, a independência (1822) manteve a unidade territorial da antiga colônia portuguesa e a monarquia, com um membro da própria dinastia de Bragança, D. Pedro, à frente do novo Estado.
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Caráter do processo. Na América espanhola, a ruptura foi marcada por guerras prolongadas e violentas entre exércitos patriotas e realistas, a partir da crise gerada pela invasão napoleônica da Espanha (1808). No Brasil, a presença da Corte desde 1808, a elevação a Reino Unido (1815) e a negociação com a elite local permitiram um processo mais conciliado, com poucos conflitos armados (concentrados em Bahia, Maranhão, Pará e Cisplatina) e continuidade da escravidão e da estrutura social.
Resposta: na América espanhola houve fragmentação em repúblicas e guerras de independência; no Brasil houve manutenção da unidade e da monarquia, com transição negociada sob um príncipe português.
b) Os luso-brasileiros eram portugueses estabelecidos no Brasil, ou brasileiros ligados a Portugal, que tinham negócios, cargos e laços com a Corte instalada no Rio desde 1808. Eram comerciantes, burocratas e militares.
Sua importância no governo de D. Pedro I vem de duas razões. Ocuparam ministérios, cargos na administração e no exército, e davam a D. Pedro apoio político e financeiro. Além disso, representavam a continuidade com a ordem anterior e com a tradição monárquica e centralizadora, o que o ajudou a conduzir a independência sem rompimento social.
Eles geraram conflitos porque a manutenção de portugueses nos postos de poder e no comércio era vista como prolongamento do domínio metropolitano. Isso provocou a hostilidade dos brasileiros, em especial de proprietários rurais e de grupos liberais. O mesmo ocorria com o autoritarismo do imperador, visível na dissolução da Assembleia Constituinte (1823), na Constituição outorgada (1824) e na repressão à Confederação do Equador (1824). Essas tensões, somadas à Guerra da Cisplatina, levaram à crise e à abdicação em 1831.
Resposta: os luso-brasileiros foram o principal sustentáculo político e econômico de D. Pedro I, mas seu predomínio no poder, ligado a Portugal e ao autoritarismo do imperador, gerou conflitos com as elites brasileiras e os liberais.
Assuntos: independência do brasil, independência da américa espanhola, primeiro reinado.
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