Questão 12 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2013

2º dia · Ciências Humanas e Artes

Observe a imagem abaixo:

Pintura "A pesca de almas", de Adriaen van de Venne, retratando barcos em um rio repleto de pessoas na água. No barco à esquerda, homens vestidos com trajes escuros e golas brancas (calvinistas) resgatam fiéis da água com redes, enquanto a Bíblia é mantida aberta. No barco à direita, religiosos e clérigos católicos, vestidos com hábitos e paramentos cerimoniais, também tentam recolher pessoas das águas. Multidões acompanham a cena em ambas as margens do rio.

Adriaen van de Venne. A pesca de almas (1614). Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda. Detalhe.

a) A imagem representa a disputa entre calvinistas e católicos. Como estão representados os calvinistas na obra do artista holandês?

b) Explique a importância econômica da Holanda como potência marítima no contexto europeu do século XVII.

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a) Na pintura, os calvinistas aparecem no barco da esquerda, vestidos de preto com golas brancas, o que traduz a sobriedade, a austeridade e a simplicidade que a doutrina pregava. Eles "pescam" almas com redes, resgatando os fiéis da água, e mantêm a Bíblia aberta no barco. Isso destaca a centralidade das Escrituras, lidas diretamente pelos fiéis, e a ideia de salvação pela fé. Os católicos, no barco da direita, usam hábitos e paramentos cerimoniais, o que contrasta com a simplicidade calvinista e remete ao fausto e à hierarquia da Igreja de Roma. O pintor, holandês e simpatizante da Reforma, representa os calvinistas de forma positiva, como os que conduzem de fato a salvação das almas. Os calvinistas são mostrados de preto, com golas brancas, sóbrios, com a Bíblia aberta, resgatando almas com redes, em contraste com o cerimonial católico.

b) No século XVII, a Holanda (Províncias Unidas) foi a maior potência comercial marítima da Europa. Sua frota mercante era enorme e muito eficiente, com navios baratos, como as flautas. Companhias como a Companhia das Índias Orientais (VOC) e a das Índias Ocidentais (WIC) monopolizavam rotas e produtos, como as especiarias asiáticas e o açúcar, e fundaram feitorias e colônias, entre elas o Brasil holandês, no Nordeste. Amsterdã tornou-se o centro do comércio e das finanças europeias: abrigava a Bolsa de Valores, bancos e seguros, e atuava como entreposto que redistribuía mercadorias por toda a Europa. O capital acumulado financiou a indústria naval e a manufatura, gerou grande prosperidade burguesa e sustentou a independência frente à Espanha. A Holanda controlava o comércio marítimo e colonial por meio de companhias monopolistas e de Amsterdã, centro financeiro europeu, acumulando riqueza e se tornando potência econômica do século XVII.

Assuntos: reforma calvinista, holanda no século XVII, expansão comercial marítima.

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