Questão 13 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2012

2º dia · Ciências Humanas e Artes

Sob uma perspectiva histórica, a incidência de fogo nas matas remonta a mais de 22.000 A.P. (antes do presente). No final da última glaciação, antes da chegada do homem às Américas, o clima era seco e frio, os incêndios só ocorriam por causas naturais, sendo em geral causados por raios. Ao lado da chuva, propiciava-se o manejo natural do material combustível existente (...). A sedentarização do homem no território nacional levou à prática da queimada tipo “coivara” adotada pelos índios. Posteriormente, com a colonização, adotou-se também a prática das queimadas.

(Adaptado de Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas: cerrado. Ministério do Meio Ambiente. Brasília: MMA, 2011, p.56.)

a) Quais as diferenças entre a coivara praticada pelo índio e o processo de queimada adotado pelo colonizador?

b) Quais os impactos decorrentes da queimada sistemática aos ecossistemas naturais e ao homem?

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a) A coivara é a técnica indígena de agricultura itinerante. O índio derrubava e queimava pequenas áreas da mata, plantava para a própria subsistência (mandioca, milho etc.) e, quando o solo perdia fertilidade, abandonava o local e abria outro. A área abandonada tinha tempo para se regenerar (pousio), e a escala era pequena, com baixa densidade populacional e instrumentos simples. O impacto ambiental era, portanto, reduzido.

A queimada do colonizador servia à lógica mercantil: grandes extensões eram desmatadas e queimadas para monocultivos de exportação (cana-de-açúcar, depois café) e para a pecuária. Era uma prática contínua e em larga escala, que não deixava a terra em descanso. Havia esgotamento do solo, e a ocupação era permanente, com tendência a avançar sobre novas áreas de mata.

Diferença: a coivara era pequena, rotativa e de subsistência, com regeneração da mata; a queimada colonial era extensiva, voltada ao mercado e sem pousio, levando à degradação do solo e do ambiente.

b) Aos ecossistemas, a queimada sistemática causa perda de biodiversidade (morte de animais e plantas, destruição de habitats), empobrecimento e erosão do solo, que fica exposto à chuva e perde nutrientes e matéria orgânica, assoreamento e contaminação de rios e nascentes, e alteração do ciclo hídrico. Também há emissão de gases de efeito estufa (\ce{CO2}, \ce{CH4}), contribuindo para o aquecimento global. No Cerrado, cujas espécies têm certa adaptação ao fogo natural, a frequência e a intensidade das queimadas humanas rompem esse equilíbrio.

Ao homem, afetam a saúde pela fumaça e pela poluição do ar (problemas respiratórios e oculares), prejudicam o transporte (fechamento de aeroportos e estradas por falta de visibilidade), geram prejuízos econômicos (perda de lavouras, redes elétricas, propriedades) e, a longo prazo, reduzem a produtividade agrícola pela degradação do solo e a disponibilidade de água.

Resposta: perda de biodiversidade, degradação do solo, assoreamento, aumento de gases de efeito estufa e danos à saúde e à economia humanas.

Assuntos: queimadas e desmatamento, agricultura itinerante (coivara), impactos ambientais no cerrado.

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