Questão 14 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2011

2º dia · Ciências Humanas e Artes

Na segunda metade do século XVIII, pensadores importantes, como Denis Diderot, atacaram os próprios fundamentos do imperialismo. Para esse filósofo, os seres humanos eram fundamentalmente formados pelas suas culturas e marcados pelas diferenças culturais, não existindo o homem no estado de natureza. Isso levava à ideia de relatividade cultural, segundo a qual os povos não podiam ser considerados superiores ou inferiores a partir de uma escala universal de valores.

(Adaptado de Sankar Muthu, Enlightenment Against Empire. Princeton: Princeton University Press, 2003, p. 258, 268.)

a) Segundo o texto, como as ideias de Denis Diderot se opunham ao imperialismo?

b) No pensamento de Jean-Jacques Rousseau, qual a relação entre a ideia de “homem no estado de natureza” e a organização das sociedades civilizadas?

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a) O imperialismo europeu se justificava pela ideia de que havia uma escala universal de valores, na qual a civilização europeia ocupava o topo e os demais povos seriam "atrasados" ou "inferiores". Isso legitimava a dominação, a conquista e a suposta missão de "civilizar" outros povos.

Segundo o texto, Diderot rejeitava essa base. Para ele, não existe um homem em estado de natureza, ou seja, um ser humano anterior à cultura. Os seres humanos são formados por suas culturas e marcados por suas diferenças. Daí vem a ideia de relatividade cultural: sem uma escala universal de valores, nenhum povo pode ser considerado superior ou inferior a outro. Com isso, perde sentido a justificativa da superioridade europeia para dominar e colonizar outras sociedades.

As ideias de Diderot se opunham ao imperialismo ao defender a relatividade cultural: sem escala universal de valores, nenhum povo é superior ou inferior, o que retira a justificativa para dominar outros povos.

b) Para Rousseau, o homem no estado de natureza é uma hipótese filosófica: um ser anterior à vida social, livre, autossuficiente, bom por natureza e sem desigualdades, movido pela piedade e pelo amor de si. Ele serve de parâmetro para criticar a sociedade.

Segundo Rousseau, a sociedade civilizada surgiu com a propriedade privada e a divisão do trabalho, que criaram a desigualdade, a competição e a dominação entre ricos e pobres. O Estado e as leis, nessa visão, consolidaram essa desigualdade. A civilização, portanto, corrompeu a bondade natural do homem.

Para superar essa situação, Rousseau propõe em O Contrato Social um novo pacto, fundado na soberania popular e na vontade geral, que recupere a liberdade e a igualdade no plano civil.

Para Rousseau, o homem natural, livre, bom e igual, é o parâmetro com que se critica as sociedades civilizadas, nas quais a propriedade privada gerou desigualdade e opressão; daí a necessidade de um contrato social legítimo, baseado na vontade geral.

Assuntos: iluminismo, diderot e rousseau, imperialismo.

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