Questão 12 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2011
Uma análise das lutas suscitadas pela ocupação holandesa no Brasil pode ajudar a desconstruir ideias feitas. Uma tese tradicional diz respeito ao reforço da identidade brasileira durante as lutas com os holandeses: a luta pela expulsão dos holandeses seria obra muito mais dos brasileiros e negros do que dos portugueses. Já a tese que critica essa associação entre a experiência da dominação holandesa e a gênese de um sentimento nativista insiste nas divisões – no âmbito da economia açucareira – entre senhores de engenho excluídos ou favorecidos pela ocupação holandesa.
(Adaptado de Diogo Ramada Curto, Cultura imperial e projetos coloniais (séculos XV a XVIII). Campinas: Editora da Unicamp, 2009, p. 278.)
a) Identifique no texto duas interpretações divergentes a respeito da luta contra a dominação holandesa no Brasil.
b) Mencione dois fatores que levaram à invasão de Pernambuco pelos holandeses no século XVII.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) O texto apresenta duas leituras da luta contra os holandeses.
A primeira é a tese tradicional: a expulsão teria sido obra sobretudo de brasileiros e negros (e não dos portugueses), e a guerra teria reforçado a identidade brasileira, ou seja, um sentimento nativista, uma espécie de embrião da nação.
A segunda é a tese crítica, que questiona essa associação entre a dominação holandesa e o nascimento do nativismo. Ela destaca as divisões internas da economia açucareira: alguns senhores de engenho foram excluídos pela ocupação (endividados, com terras confiscadas, sem crédito), e por isso lutaram contra os holandeses. Outros foram favorecidos (com crédito, escravos e boas relações comerciais) e a apoiaram. Portanto, a luta teria sido movida por interesses econômicos divergentes, e não por um sentimento nacional unificado.
Resposta: (1) a luta como obra de brasileiros e negros, que reforçou a identidade brasileira; (2) a luta como reflexo de interesses econômicos divergentes entre senhores de engenho, sem nativismo unificado.
b) Dois fatores:
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Econômico: Pernambuco era o centro da produção açucareira, a mais lucrativa da colônia. Os holandeses, por meio da Companhia das Índias Ocidentais, já controlavam o refino e a distribuição do açúcar na Europa e queriam controlar a produção.
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Político: a União Ibérica (1580-1640) colocou Portugal e suas colônias sob a Coroa espanhola, inimiga dos Países Baixos. A Espanha proibiu os holandeses de comerciar o açúcar com o Brasil (embargo), o que levou à invasão. Também importava o interesse em controlar o tráfico de escravos e o Atlântico Sul.
Resposta: o interesse no controle da produção açucareira de Pernambuco e a rivalidade com a Espanha na União Ibérica, que gerou o embargo ao comércio holandês do açúcar.
Assuntos: brasil holandês, união ibérica, economia açucareira.
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